Cavendish
Que CPMI é essa que não convoca Cavendish, parceiro de Cachoeira, dono dos segredos da República, que poderia prestar grande serviço ao país se contasse o que aprendeu e o que sabe?
Descenderia Fernando, esse da Delta, do Cavendish corsário? Se descende, comporta-se ainda pior que seu valente ancestral.
O homem que começou a prosperar, chegando a ser o maior empreiteiro do PAC, dono da sexta maior empreiteira do país, desde que contratou as "consultorias" do ex-ministro José Dirceu, está mais para pirata do que para corsário. A figura que o PT protege, com unhas e dentes na CPMI do Cachoeira, embora esteja longe de ser o único predador da coisa pública, aprendeu a abalroar os cofres públicos com a maestria do capitão Gancho.
Espalhou tentáculos pelo país, aliou-se ao hoje célebre contraventor goiano, virou comensal do governador do Rio de Janeiro, declarou estar acostumado a comprar deputados por R$6 milhões e senadores por R$20 milhões. Membro ilustre da confraria do guardanapo, é estrela das fotos que exibem a dança da cumplicidade: governador, secretários, prestadores privados de serviços para o estado.
Nada os separa. O que os une é a dolce vita das obras fáceis, superfaturadas, propineiras, desonestas.
Que balé estranho seria aquele? Os movimentos parecem ensaiados, o elenco deve treinar junto faz tempo.
Sorrisos abertos, entre infantis e apalermados. Deslumbrados. Donos do submundo. Crentes na impunidade que, até hoje, lhes vem sendo garantida, porque "você é nosso e nós somos teu (sic)". Nosso, nossa. Que coisa. Coisa nossa. Cosa nostra.
Mas eu falava das supostas diferenças entre Cavendish, o Fernando, e seu suposto ancestral, Cavendish, o corsário. O primeiro, pirata, pilha as naus que encontra pela frente em proveito próprio e do pequeno grupo que lhe garante obras, mamatas, dinheiro ilegítimo. Já os corsários pilhavam e matavam para enriquecer a Coroa, o rei, a rainha, a casa real; claro que recebiam generosa recompensa por isso.
Suponhamos um corsário num bar de porto, reunido com colegas de "profissão". Suponhamos que, de repente, aparecessem piratas esquisitos, de lenço na cabeça, dançando um funk canhestro. A impressão que tenho é que os corsários, ofendidos, abandonariam o recinto, reclamando da gerência que o ambiente já não estava tão "distinto" quanto nos melhores tempos.
Que CPMI é essa que não convoca Cavendish, parceiro de Cachoeira, dono dos segredos da República, que poderia prestar grande serviço ao país se contasse o que aprendeu e o que sabe? Convoquem Fernando Cavendish. Quem sabe ele não deixa de ser pirata uma vez na vida e age, pelo menos, como corsário?
O Brasil agradeceria.