Coaf, ligado a Mantega, envia caso Palocci à PF

rgo de controle do sistema financeiro, ligado Fazenda, enviou relatrio PF sobre a compra de imvel de R$ 6,6 milhes pelo chefe da Casa Civil; Braslia pequena demais para os dois

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247 – Reportagem publicada nesta manhã pelo jornal Estado de S.Paulo confirma o que já vinha sendo dito pelo Brasil 247: Brasília é pequena demais para os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Casa Civil, Antônio Palocci. Em texto assinado pelos repórteres Leandro Colon e Luiz Alberto Weber, informa-se que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda (de Mantega), enviou relatório à Polícia Federal comunicando que a empresa Projeto, do ministro da Casa Civil (Palocci), fez uma operação financeira suspeita na compra de um imóvel de R$ 6,6 milhões e 505 metros quadrados, nos Jardins, bairro mais nobre de São Paulo. O fogo amigo entre os dois ministros mais poderosos de Brasília é intenso e, a cada dia, evidencia-se que apenas um dos dois sobreviverá.

Diante da fragilidade da situação de Palocci, que piorou depois da divulgação de um email desastroso, em que ele se comparou a autoridades de governos anteriores que também enriqueceram fora do poder (mas nenhum deles como parlamentar e consultor), Dilma começou a pensar em alternativas para a Casa Civil. Diversos nomes foram cogitados. O mais forte é o de Fernando Pimentel, amigo pessoal da presidente e ministro do Desenvolvimento, mas ele não conta com a benção do PT paulista. Fala-se ainda em Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, e no deputado Cândido Vaccarezza. Aguarda-se, para os próximos dias em Brasília, o vazamento das notas fiscais emitidas pela empresa Projeto, de Palocci, com a relação de seus clientes. Embora o ministro tenha escapado de uma convocação à Câmara dos Deputados, muitos apostam que ele não resistirá às reportagens do fim de semana de revistas como Veja, Istoé e Época.

Leia, abaixo, a reportagem publicada pelo Brasil 247 sobre a troca de chumbo grosso entre Mantega e Palocci nos últimos meses:

Há exatos dois meses, a presidente Dilma Rousseff chamou a seu gabinete os dois ministros mais poderosos da sua equipe: Antônio Palocci, da Casa Civil, e Guido Mantega, da Fazenda. Foi curta e grossa. Disse que ambos teriam de se entender e que as intrigas entre ambos deveriam cessar imediatamente. Obedientes, ambos negaram as divergências e prometeram fumar o cachimbo da paz. Mas, aparentemente, ficaram na promessa.

De lá para cá, o clima entre ambos só piorou. Nos bastidores do governo Dilma, os dois vêm travando uma guerra surda e já se enfrentaram em pendengas importantes. O aumento do índice oficial de inflação, que já alcança 6,51% em doze meses – acima, portanto, da meta oficial do Banco Central – fez com que a turma do ortodoxo Palocci engrossasse o caldo das críticas ao desenvolvimentista ministro da Fazenda. E vários colunistas de renome na imprensa nacional chegaram a escrever sobre a queda iminente de Guido Mantega. Fontes da Fazenda acreditam até que alguns empresários, a pedido de Palocci, estariam financiando uma campanha de difamação contra ele. Um dos argumentos seria o de que Mantega passaria mais tempo em São Paulo – sua família continua na capital paulista – do que em Brasília. E o “operador” dessa campanha seria um renomado jornalista/lobista de Brasília, especializado em “gestão de crises”.

A história chegou aos ouvidos de Palocci, que a negou de forma veemente. Mas o fato é que os atritos continuaram – e não só na imprensa. Mantega e Palocci defendiam desfechos distintos para a intervenção na Vale. Embora só Mantega assumisse publicamente as críticas à gestão de Roger Agnelli, Palocci não foi contra sua demissão. E quando ele caiu tentou emplacar no comando da mineradora o amigo e ex-presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão. Mantega foi mais rápido no gatilho e, em sintonia com Ricardo Flores, presidente da Previ e maior acionista da Vale, atrapalhou o plano e ainda nomeou um de seus braços direitos, o economista Nelson Barbosa, para um posto estratégico na companhia – Barbosa ganhou assento na diretoria e no conselho da empresa.

O choque seguinte se deu no Banco do Brasil. Palocci quis emplacar na presidência o diretor Geraldo Dezena, da área de tecnologia, que tinha ainda o apoio do governador baiano Jacques Wagner e do sindicalista e ex-presidente do PT, Ricardo Berzoini. Mas Mantega vem avalizando a permanência de Aldemir Bendine no comando do maior banco do sistema financeiro nacional. E o fato concreto é que, no organograma do governo, o BB aparece vinculado ao Ministério da Fazenda.

O lance mais recente dessa guerra interna foi a revelação, pela Folha de S.Paulo, que o ministro Antônio Palocci multiplicou por vinte seu patrimônio nos últimos quatro anos e adquiriu um apartamento de R$ 6,6 milhões e mais de 500 metros quadrados, nos Jardins, em São Paulo. Palocci divulgou uma nota oficial informando que seus bens estão declarados em seu Imposto de Renda. Pode ter sido um recado para o próprio ministro Mantega, uma vez que a Receita Federal é também subordinada à Fazenda e se mostrou porosa como um queijo suíço nas últimas eleições presidenciais.

Nos últimos quatro anos, Palocci foi, ao mesmo tempo, deputado federal e consultor de empresas. Como ele era visto como uma eminência parda e também um conselheiro do presidente Lula, foi procurado por empresas de vários setores da economia. Natural que tenha acumulado um bom patrimônio, ainda que o acúmulo de funções seja questionável.

Ao tomar posse como ministro-chefe da Casa Civil, Palocci desativou sua consultoria, levou a situação ao conhecimento da Comissão de Ética Pública, mas manteve aberto seu escritório na Avenida Paulista para encontros pessoais.

Terá sido fogo amigo a primeira denúncia de peso a atingir um membro do primeiro escalão do governo Dilma? Jamais se saberá. Mas a escalada dos atritos entre Guido Mantega e Antônio Palocci talvez indique que Brasília ficou pequena demais para os dois.

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