Com 2006 na memória, petistas vivem sob tensão

Naquele ano, na disputa para o governo de So Paulo, Jos Serra liquidou o candidato do PT, Alozio Mercadante, em primeiro turno; obteve 57% contra 31%; agora, com Fernando Haddad, que ainda no empolga as bases, militantes temem nova humilhao

Com 2006 na memória, petistas vivem sob tensão
Com 2006 na memória, petistas vivem sob tensão (Foto: Edição/247)

Marco Damiani _247 – Por dois motivos diferentes as bases do PT na capital paulista estão experimentando, neste momento, medo e tensão. Os dois sentimentos se misturam tanto pelo fato de a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad não decolar nas pesquisas de opinião, como pelos rigores dos estatutos, que impedem contestações mais diretas às chances eleitorais do candidato. Em resumo, o PT está com medo de, pelo andar da carruagem, perder para José Serra, do PSDB, em primeiro turno -- e cada vez mais tenso diante das punições que podem se abater sobre militantes que almejam a volta da senadora Marta Suplicy como candidata do partido.

Em muitos diretórios zonais, especialmente nos bairros periféricos, onde Marta tem suas bases mais sólidas, o exemplo da disputa para o governo de São Paulo em 2006 tem sido muito lembrado. Naquele ano, com um candidato, o atual ministro Aloízio Mercadante, que não empolgou a militância, o PT perdeu a eleição para o PSDB do então candidato José Serra em primeiro turno. O tucano emplacou mais de 55% dos votos válidos, contra pouco mais de 30% para o petista. Agora, uma simulação feita pelo Instituto DataFolha, na qual não consta o atual candidato do PRB, Celso Russomano, aponta Serra com 49% das intenções de voto, com Haddad ficando em torno de 5%.

“Estamos realmente passando por um momento muito delicado”, reconhece um militante da base petista, que pediu para não se identificado. “Haddad está se mostrando um suicídio político, quando o certo seria fazermos uma autocrítica e resgatarmos a candidatura da senadora Marta Suplicy”, completou.

O receio em manifestar publicamente esta posição reside nos estatutos do PT, que indicam até mesmo a expulsão dos quadros do partido como pena para a não aceitação de decisões da maioria. O processo de caravanas dos candidatos às bases petistas, no ano passado, em preparação para as prévias partidárias, que não ocorreram, é visto como o ponto que legitima a candidatura Haddad. Oficialmente, Marta desistiu da disputa e, ao prosseguir como único postulante, o ex-ministro foi ungido por todas as instâncias partidárias. Uma contestação, agora, poderia gerar punições drásticas.

O mal estar nas bases, porém, é de tal ordem que muitos militantes preferem esperar os próximos resultados das pesquisas de opinião para escolher qual rumo seguir. “Se até abril Haddad não chegar pelo perto de 10% das intenções de voto, em junho teremos tempo de fazer Marta voltar à disputa”, calcula um desses militantes. “Pode surgir, nesta altura, um manifesto, um abaixo-assinado, algum pedido formal para a direção rever sua posição”, indica ele. “Por enquanto, temos medo de agir e seremos punidos, mas que já se cogitou mudar a candidatura, isso já aconteceu sim”.

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