Congresso atua para blindar Toffoli e conter impeachment
Cúpulas do Congresso e do centrão reagem a relatório da PF sobre Banco Master, e criticam “vazamento seletivo”
247 - As cúpulas do Congresso Nacional e de partidos do centrão passaram a atuar para blindar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conter o avanço de discussões sobre seu impeachment em meio às investigações relacionadas ao Banco Master. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
O movimento se intensificou após a revelação de um relatório de mais de 200 páginas da Polícia Federal (PF), entregue na segunda-feira (9) ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento reúne mensagens do empresário Daniel Vorcaro que citam Toffoli e mencionam pagamento a empresa do ministro, além de apontar que ele admitiu ser sócio da Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá a um fundo ligado ao empresário.
Na quinta-feira (12), a tensão aumentou com trocas de ligações e mensagens entre o ministro e dirigentes partidários. Segundo relatos feitos à Folha, políticos buscaram tranquilizá-lo e afirmaram que o Congresso não deve tomar iniciativas para investigá-lo nem pressioná-lo a deixar o cargo.
Presidentes de partidos do centrão criticaram o que chamam de “Lava Jato 2”, denunciaram “vazamento seletivo” de informações e apontaram “pré-julgamento” de Toffoli pela opinião pública. Nos bastidores, discutem formas de evitar que ele deixe a relatoria do caso ou se afaste do posto.
Ainda na quinta-feira, o partido Novo protocolou pedido de impeachment contra o ministro. A eventual abertura do processo depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado de Toffoli, que, segundo relatos, descartou autorizar o início do julgamento no Senado.
Em nota, Toffoli afirmou que nunca soube quem era o gestor do fundo que adquiriu a participação da empresa de sua família no resort e declarou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”.
Líderes partidários também demonstraram preocupação com o que classificam como “sensacionalismo” em torno do relatório da PF e defenderam que não haja pré-julgamento. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conversaram com dirigentes partidários para avaliar a dimensão da crise, e houve sugestão de criação de CPI para apurar possíveis vazamentos.
Entre políticos bolsonaristas, o episódio reforçou críticas ao STF e estimulou manifestações nas redes favoráveis ao impeachment. Parte da direita avalia que a investigação pode levar à saída de Toffoli e abrir espaço para nova indicação ao Supremo pelo presidente Lula, enquanto outras alas da oposição veem essa hipótese com desconfiança.