Cunha: “não vou retaliar quem quer que seja”
Na primeira entrevista após ter sido denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro ao STF, por suposto envolvimento na Lava Jato, Eduardo Cunha assegurou que não deixará, sob hipótese alguma, a presidência da Câmara; "Renúncia e covardia não fazem parte do meu vocabulário e nunca farão", disse o peemedebista, durante evento na sede da Força Sindical em São Paulo; o deputado lembrou que Renan Calheiros também é alvo de denúncia, mas que mesmo assim tem "todas as condições" de presidir o Senado; Cunha se declarou "absolutamente inocente" das acusações apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e voltou a dizer estar tranquilo, "até porque esses processos são muito longos"
247 – Um dia depois de ter sido denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento no esquema investigado pela Operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se declarou "absolutamente inocente" das acusações nesta sexta-feira 21.
Cunha assegurou que não deixará, "sob hipótese alguma", o comando da Casa. "Renúncia" e "covardia" não fazem e não farão parte de seu vocabulário, disse o peemedebista, durante evento na sede da Força Sindical em São Paulo, no bairro da Liberdade, onde recebeu apoio dos metalúrgicos. Ele foi recebido no ato sob gritos de "guerreiro do povo brasileiro".
"Não adianta nenhuma especulação sobre o que vou fazer ou deixar de fazer. Não vou abrir mão de nenhum direito. Não há a menor possibilidade de eu me fastar do comando da Câmara, abrindo mão daquilo que a maioria absoluta me elegeu em primeiro turno. Renúncia é um ato unilateral. Renúncia não faz parte do meu vocabulário, e não fará, assim como covardia não faz parte do meu vocabulário, e nem fará", discursou.
Como em nota divulgada ontem, ele voltou a dizer que está tranquilo, "até porque esses processos são muito longos". Cunha lembrou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também é denunciado e mesmo assim tem "todas as condições" de comandar a Casa.
Na denúncia, Janot acusa Cunha de ter recebido ao menos ao menos US$ 5 milhões em propina e pede "restituição do produto e proveito dos crimes no valor de US$ 40 milhões e a reparação dos danos causados à Petrobras e à Administração Pública também no valor de US$ 40 milhões". O procurador-geral também pediu 184 anos de prisão para o deputado.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil a respeito:
Após denúncia, Eduardo Cunha descarta renúncia
Ivan Richard - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, denunciado ontem (20) pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, disse hoje (21), em São Paulo, que não vai renunciar do comando da Casa.
Durante evento promovido pela Força Sindical, Cunha afirmou que a renúncia não faz parte do vocabulário dele "e não fará". "Ninguém pode ser previamente condenado. Estou absolutamente sereno. Nada alterará o meu comportamento. Não adianta nenhuma especulação sobre o que vou fazer ou deixar de fazer. Não vou abrir mão de nenhum direito. Não há a menor possibilidade de eu não continuar no comando da Câmara", disse o peemedebista.
Na denúncia encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz que Eduardo Cunha recebeu propina por meio empresas sediadas no exterior e empresas de fachada. Na denúncia, Janot também pede que o presidente da Câmara pague U$S 80 milhões pelos danos causados à Petrobras. Foi a primeira denúncia contra um parlamentar investigado na Operação Lava Jato.
Cunha, por sua vez, contestou a denúncia "com veemência" e chamou de "ilações" os argumentos apresentados por Janot. Em nota, divulgada ontem após a denúncia, Eduardo Cunha se diz inocente e aliviado. "Fui escolhido para ser investigado e, agora, ao que parece, estou também sendo escolhido para ser denunciado". O peemedebista criticou o PT e o governo, a quem atribui o fato de ser alvo da denúncia.