Curitiba ainda não se livrou do “risco-Russomano”
São Paulo evitou o salto no escuro, expelindo Celso Russomano, do PRB, do segundo turno. Mas, na capital paranaense, ele permanece, com a candidatura de Ratinho Júnior, do minúsculo PSC, que terminou o primeiro turno em primeiro lugar
247 – Cidade tradicionalmente conservadora, a capital paranaense Curitiba ainda não se livrou do “risco-Russomano”. Lá, ele atende pelo nome de Ratinho Júnior, filho do apresentador Carlos Massa, que concorre pelo minúsculo PSC e terminou o primeiro turno na dianteira, com 332,4 mil votos (34,1% do total), à frente de Gustavo Fruet, do PDT, 265,5 mil (27,2% do total).
Assim como Celso Russomano, Ratinho Júnior vinha sendo apontado pelos analistas políticos como símbolo de uma renovação política, em que as escolhas da chamada nova classe média eram menos politizadas, menos ideológicas e mais ligadas a fatores como carisma e exposição televisiva. A semelhança também estava na estrutura partidária pequena. Russomano concorreu pelo PRB e Ratinho tenta se eleger prefeito pelo PSC.
Ambos, no entanto, representam saltos no escuro e é improvável que a população de Curitiba, bem instruída, chancele a escolha de um político visto como aventureiro. A questão é que, caciques locais, ainda tentam alavancar a candidatura de Ratinho Júnior, movidos por fatores pessoais. É o caso do governador tucano Beto Richa, que sofreu uma derrota humilhante ao não conseguir colocar o prefeito Luciano Ducci no segundo turno e fará tudo para impedir que seu desafeto Gustavo Fruet (ex-PSDB) conquiste a prefeitura. O peemedebista Roberto Requião, que bancou a candidatura de Rafel Greca, também apoia Ratinho Júnior, muito embora Greca tenha declarado neutralidade – e o mais provável é que seus eleitores migrem para Fruet.
Do lado de Fruet, estão os ministros paranaenses Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo. Os três consideram a vitória em Curitiba essencial para a conquista do governo estadual em 2014, com Gleisi. “A vitória precisa ser confirmada nas urnas no dia 28 de outubro”, disse Paulo Bernardo, num encontro com Fruet, dias atrás. “Vamos trabalhar com garra e com entusiasmo para defender um governo que inverta as prioridades e que seja de fato parceiro da presidenta Dilma no combate à pobreza, às desigualdades e no desenvolvimento econômico com inclusão social”, afirmou.
