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Poder

Curitiba, capital nacional do nepotismo

Depois do governador Beto Richa, que atribuiu superpoderes mulher e ao irmo, a vez do presidente da Cmara de Curitiba, Joo Cludio Derosso, suspeito de favorecer familiares em contratos no valor de R$ 30 milhes

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247 – O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), causou incômodo na política do estado, em junho, ao conseguir aprovar na Assembleia Legislativa superpoderes ao irmão e à mulher, ambos secretários de seu governo. Pouco mais de um mês depois, é a vez do presidente da Câmara Municipal Curitiba, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), virar alvo de denúncias de favorecimento a familiares. Representantes de seis partidos , da Central Única da Trabalhadores (CUT) e da Federação de Associações de Moradores de Curitiba (Femotiba) entregaram ao Ministério Público do Paraná um pedido de investigação dos contratos de publicidade da instituição.

As empresas sob suspeita são a Oficina de Notícias, de propriedade da mulher de Derosso, Cláudia Queiróz Guedes, e a Visão Publicidade Ltda. Os contratos de publicidade custaram R$ 30 milhões aos cofres públicos do estado nos últimos cinco anos. Entre os partidos que solicitam investigações estão PT, PMDB, PSC, PV, PCdoB e PDT. O pedido também conta com o apoio de diversos sindicatos, entre eles o dos Arquitetos do Paraná e dos Bancários de Curitiba. O grupo defende a perda do mandato para Derosso caso sejam comprovadas as acusações.

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Os problemas têm origem em 2006, quando as empresas Oficina de Notícias e Visão Publicidade venceram licitação para oferecer serviços de comunicação social à Câmara. O detalhe é que apenas as duas empresas participaram do processo – o aviso de licitação foi publicado apenas no Diário Popular, de circulação reduzida. O contrato inicial previa o pagamento de R$ 5,2 milhões para cada uma, mas aditivos elevaram os R$ 10,4 milhões iniciais para R$ 30,1 milhões.

Leia matéria publicada pelo Brasil 247 no dia 22 de junho:

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247 - Falar em nepotismo seria pouco e não daria a noção exata do que está acontecendo no Paraná. Ao aprovar superpoderes para as recém-criadas secretarias de Infraestrutura Logística e da Família e do Desenvolvimento Social, a Assembléia Legislativa do Paraná entregou 80% dos investimentos do estado nas mãos da família do governador Beto Richa (PSDB). O cálculo é feito pela oposição e já foi questionado pelo líder do governo na Assembléia, deputado Ademar Traiano (PSDB), mas a discussão acerca do percentual se torna irrelevante diante do fato de que os titulares das duas novas e superpoderosas secretarias são o irmão e a mulher do governador.

O irmão de Richa, José Richa Filho, conhecido como Pepe, comandava até esta terça-feira a Secretaria de Obras Públicas, que foi fundida com a Secretaria de Transportes para dar origem à Secretaria de Infraestrutura e Logística. A estrutura passa a gerir as obras do PAC (orçamento total de R$ 5 bilhões) e ainda vai administrar o Detran e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Na mão da mulher de Richa, Fernanda, fica a nova Secretaria da Família e do Desenvolvimento Social, antiga Secretaria da Criança e da Juventude, responsável por gerir programas federais como o Bolsa Família e o Brasil Sem Miséria.

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A oposição protestou contra a aprovação do projeto de lei que instituiu a nova configuração do governo e comparou a concentração de poder da nova configuração do governo às da época da Idade Média. E nem precisava ter ido tão longe. O ex-governador Roberto Requião (PMDB), que esteve à frente do estado nos últimos oito anos, manteve pelo menos seis parentes em cargos do primeiro e segundo escalação durante seus governos.

Traiano rebateu as críticas usando como exemplo o casal mais poderoso da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O deputado estadual disse que "o PT deu dois superministérios para a mesma família". Richa Filho e Fernanda Richa têm fama de bons administradores no Paraná, mas mesmo que desempenhem bem as funções dos novos supercargos não devem conseguir apagar os traços de feudalismo que se mantêm no governo do Paraná há anos.

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