De vampiro a papa-figo

Serra usa seu encontro com Eduardo Campos para assustar Aécio e o PSDB

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É dura a vida de José Serra. Depois de anos cultivando a imagem de vampiro brasileiro, com seus hábitos noturnos e seu gosto pelas tramoias da política, o tucano agora tem um novo apelido. Ao menos no Recife, capital pernambucana, ele é o papa-figo, figura da mitologia que aparecia à noite nos becos e ruas sombrias, assim como nos cemitérios, para assustar as criancinhas.

Serra, como se sabe, teve um encontro, em sua própria casa, com o governador pernambucano Eduardo Campos, presidente nacional do PSB. A reunião, também é sabido, deveria ter permanecido em segredo. Mas a relação Serra-Eduardo já nasceu mal, com uma quebra de confiança.

Dias depois, o encontro secreto estava estampado nos jornais. Quem vazou? Simples. A quem interessava tornar pública a informação? Ao pernambucano, provavelmente não, uma vez que a aproximação com Serra, mesmo que renda eventuais dividendos políticos, como um palanque forte em São Paulo, em 2014, é de altíssimo risco. Portanto…

Para Serra, o vazamento do encontro produziu benefícios imediatos. O “namoro” com Eduardo Campos aumenta sua pressão sobre o PSDB e sobre seu candidato natural em 2014, Aécio Neves. A mensagem do ex-governador paulista parece ser clara: ou me dão o comando nacional do partido, ou pulo fora.

A isso, pode-se dar o nome de negociação, barganha ou até mesmo chantagem. Mas Aécio parece disposto a resistir às movimentações do papa-figo. Sabe que, com Serra no comando tucano, terá bem mais chances de conseguir um conspirador do que um colaborador ao seu lado. Mesmo porque, em 2010, o empenho de Aécio em favor do rival interno não foi lá essas coisas. Além disso, as feridas do livro “Privataria Tucana” não cicatrizaram, muito embora Verônica Serra, filha do ex-governador paulista, esteja comprando por R$ 100 milhões uma participação de 20% numa sorveteria, associada ao bilionário Jorge Paulo Lemann, numa operação totalmente heterodoxa.

Serra conseguiu rachar o PSDB e há vozes internas, como a do próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que parecem sugerir ser melhor deixá-lo sair e buscar rapidamente outro rumo. No ninho tucano, a confiança dificilmente será restabelecida. Enquanto isso, Dilma sobrevoa o quadro, com aprovação recorde. Será que o papa-figo a derruba? 

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