Depois da família Santa Cruz, Bolsonaro ataca a memória de milhares de mortos, torturados, presos e perseguidos pela ditadura

Depois de atacar covardemente a memória do pai do presidente da OAB, Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido por ação das Forças Armadas em 1974, Jair Bolsonaro investiu neste domingo contra a memória e as famílias de milhares de mortos, torturados, presos e perseguidos pela ditadura. Num tweet, Bolsonaro atacou e ironizou as indenizações: "Dinheiro suado, do povo ordeiro e trabalhador, pago a 39.370 pessoas ditas perseguidas e autointituladas defensoras da democracia"; em outro, afirmou que as indenizações são parte de "um projeto de poder e enriquecimento" da "era PT": ambas as informações são distorcidas, verdadeiras fake news; ele foi desmentido pelo ex-deputado Adriano Diogo em entrevista à TV 247 -assista

(Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

247 - Depois de atacar covardemente a memória do pai do presidente da OAB, Fernando Santa Cruz, preso e desaparecido por ação das Forças Armadas em 1974, Jair Bolsonaro investiu neste domingo contra a memória e as famílias de milhares de mortos, torturados, presos e perseguidos pela ditadura. 

Num tweet,  Bolsonaro atacou e ironizou as indenizações: "Dinheiro suado, do povo ordeiro e trabalhador, pago a 39.370 pessoas ditas perseguidas e autointituladas defensoras da democracia"; em outro, afirmou que as indenizações são parte de "um projeto de poder e enriquecimento" da "era PT": ambas as informações são distorcidas, verdadeiras fake news. Ele foi desmentido pelo ex-deputado Adriano Diogo em entrevista à TV 247 -assista

A primeira mentira que Bolsonaro dissemina refere-se à "era PT". O processo de indenizações a anistiados políticos é anterior aos governos de Lula e Dilma, tendo início em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso e o maior montante delas foi decidido nos primeiros anos. Ao longo dos anos, foram deferidos 63% dos requerimentos de indenizações e negados 37%, num total aproximado de 40 mil. Bolsonaro ofende as pessoas que são beneficiadas mas, esconde que a maioria das indenizações são pagas exatamente a militares perseguidos pelo regime defendido por Bolsonaro. Foram 12 mil solicitações de militares contra quase 9 mil de integrantes de movimentos sindicais, a segunda categoria mais numerosa. 

Bolsonaro insurge-se contra os R$ 9,9 bilhões pagos arté hoje em infenizações a anistiados e ao mesmo tempo, em toda sua carreira política, defendeu  as pensões das filhas de militares, que custam R$ 470 milhões por mês aos cofres públicos - R$ 6 bilhões a cada ano. Em muitos casos já comprovados, as fraudes de filhas de militares que, para não perderem as pensões, evitam casar-se em cartório, para manterem o bebefício, exclusivo para as solteiras -o caso mais notório é o da atriz Maitê Proênça, historicamente ligada à direita e que apoiou Bolsonaro nas eleições. 

Veja os tweets de Bolsonaro:

Bolsonaro ofende a memória dos perseguidos e perseguidas, demitidos, presos, exilados, expulsos, presos, torturados e mortos e finge ignorar que o número de pessoas indenizadas é apenas parte das mais de 100 mil atestadas ao longo do trabalho das Comissões da Verdade instaladas no país, como informou Adriano Diogo, o ex-presidente da Comissão da Verdade dp Estado da São Paulo que levou o nome do ex-deputado Rubens Paiva,, 

Paiva é um caso exemplar do processo vivido na ditadura. Foi torturado e assassinado nas dependências de um quartel militar entre 20 e 22 de janeiro de 1971. Seu corpo foi enterrado e desenterrado várias vezes por agentes da repressão, até ter seus restos jogados ao mar, na costa da cidade do Rio de Janeiro, em 1973, dois anos após sua morte. Sua morte só foi confirmada mais de 40 anos depois, após depoimentos de ex-militares envolvidos no caso, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, atacada de todas as maneiras por Bolsonaro. 

Assista à entrevista de Adriano Diogo à TV 247:

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