Dilma discute plebiscito com partidos da base
Presidente Dilma Rousseff ouvirá dos presidentes das legendas que compõem a base aliada do governo opiniões sobre a realização de um plebiscito para definir os principais pontos da reforma política; senador Ciro Nogueira, do PP, já leva ofício se manifestando contra a ideia, mas a favor de um referendo; também estão no encontro os ministros Aloizio Mercadante, Ideli Salvatti e José Eduardo Cardozo, além do vice-presidente, Michel Temer; em entrevista, Gilberto Cavalho afirmou hoje que população está preparada para plebiscito
247 – A presidente Dilma Rousseff se reúne neste momento com os presidentes dos partidos da base aliada, no Palácio do Planalto. A intenção é discutir a proposta de plebiscito para consultar a população sobre a realização de uma reforma política. Os representantes de cada partido começaram a chegar no Planalto por volta de 11h para se encontrar com a presidente.
Participam da reunião Rui Falcão (PT), Valdir Raupp (PMDB), Eduardo Campos (PSB), Renato Rabelo (PCdoB), Alfredo Nascimento (PR), Benito Gama (PTB), Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP), Carlos Lupi (PDT) e Marcos Antonio Pereira (PRB). Também estão presentes os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), José Eduardo Cardozo (Justiça), além do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).
O presidente do PP, Ciro Nogueira, já se manifestou contra a ideia de plebiscito. Ele senador levou para o encontro um ofício do partido que defende a realização de um referendo, e não de um plebiscito, para a consulta popular sobre a reforma política. "O motivo é simples: a complexidade da proposta não é compatível com o processo de plebiscito, na medida em que é necessária a abordagem de inúmeros temas", diz trecho do documento, como informa reportagem do Globo.
À tarde, a presidência havia confirmado reuniões com os líderes da Câmara dos Deputados, às 14h30, e do Senado, às 16h30. A princípio, o encontro também seria apenas com representantes de partidos da base aliada. Mas novas informações dão conta de que as reuniões devem acontecer apenas na manhã de segunda-feira, pelo fato de muitos parlamentares já terem regressado para seus Estados. Ainda não há reunião confirmada com a oposição.
Gilberto Carvalho diz que população está preparada para plebiscito
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse hoje que a população está preparada para o plebiscito que definirá uma reforma política no país. "Acho que suspeitar do despreparo da população seria um erro, o mesmo erro de quem desconsideraria a capacidade da mobilização nas ruas. Naturalmente, tem que haver um grande investimento na divulgação e no debate intenso", disse o ministro antes de participar do Seminário Memória e Compromisso, no Centro Cultural de Brasília.
Segundo o ministro, o país está vendo se consolidar um novo processo de mobilização. "Temos que aprender a dialogar com essa rapaziada, com essas novas formas. Isso para nós é uma pedagogia, um ensinamento. Temos que ter humildade de aprender e, mais uma vez, a população brasileira teve a criatividade, a capacidade de se mobiliar", disse, ao afirmar que a democracia brasileira passa por um momento "precioso".
Sobre o apartidarismo das marchas, Gilberto Carvalho disse que isso representa uma crítica à forma como os partidos têm se organizado e se expressam institucionalmente no Legislativo e no Executivo. "Acho importante os partidos verem essa crítica, procurarem entender sua razão e passarem a ter um comportamento de maior comunicação, de cuidado nas atitudes, de ouvir cada vez mais as pessoas", disse. No entanto, o ministro considera que, apesar de representar um desafio para que se aprofunde o debate político, não há democracia sem partido. "O que existe sem partido é ditadura."
O ministro voltou a dizer que a sociedade brasileira avançou muito, e não precisa pedir pão nem emprego nas ruas, como ocorre em alguns países europeus, mas reconheceu que ainda há setores que precisam melhorar e que as críticas, principalmente sobre mobilidade urbana, estão corretas. "Ninguém pode aceitar ficar 2 ou 3 horas dentro de uma condução que não seja descente e minimamente confortável, pagando o que paga."
As maiores lições que o governo tira das manifestações, segundo o ministro, é que não se pode acomodar e que a população quer participar das decisões do país. "Por isso, o plebiscito, que vai permitir que as pessoas se manifestem sobre uma reforma política, é extremamente importante", disse.
Entre os principais pontos que ministro espera ver respondidos no plebiscito, está o financiamento público de campanha. Para ele, o financiamento empresarial de campanha é o nascedouro da corrupção e deve ser extinto. "Temos de ir para um financiamento público de campanha, modesto, com muita fiscalização, ou no máximo um financiamento combinado público com o financiamento de pessoa física, e dentro de um limite. Se não tivermos coragem de mudar isso, não adianta, é hipocrisia a gente criticar a corrupção."
Com Agência Brasil