Dilma pede desculpas ao povo chileno pela "sordidez" de Bolsonaro contra Michelle Bachelet

Ex-presidente Dilma Rousseff disse que Jair Bolsonaro ultrapassa "todos os limites de baixeza e sordidez" ao celebrar o assassinato de Alberto Bachelet pela ditadura de Augusto Pinochet. "Peço desculpas a Michelle Bachelet e ao povo chileno, manifestando imenso respeito pela memória de seu pai, em nome dos brasileiros que resistiram à ditadura, que prezam a democracia e lutaram para conquistá-la", disse Dilma pelo Twitter.

247 - A ex-presidente Dilma Rousseff pediu desculpas nesta quarta-feira, 4, à ex-presidente do Chile e Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pelas declarações monstruosas de Jair Bolsonaro, que celebrou a morte do seu pai, Alberto Bachelet, pela ditadura de Augusto Pinochet. 

"Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidenta do Chile denunciou complacência do governo brasileiro com a violência policial e a redução do espaço democrático no País. Na falta de argumento civilizado, Bolsonaro fez o que sabe: reagiu com torpeza e abjeção", disse Dilma pelo Twitter. 

"Bolsonaro ultrapassa todos os limites de baixeza e sordidez ao celebrar o assassinato do pai de Michelle Bachelet, morto em consequência das torturas que sofreu na ditadura de Pinochet. Também torturada pelo regime, Michelle foi agredida por Bolsanaro porque cumpriu o seu dever", acrescentou. 

"Diante de tamanha grosseria, outra de sua longa lista de insultos, peço desculpas a Michelle Bachelet e ao povo chileno, manifestando imenso respeito pela memória de seu pai, em nome dos brasileiros que resistiram à ditadura, que prezam a democracia e lutaram para conquistá-la", afirmou. 

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Presidente do Chile condena ataque a Bachelet. ‘Bolsonaro não cansa de envergonhar o Brasil’, diz Lula

Em mensagem no Twitter, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou nesta quarta-feira (4) solidariedade à alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. A ex-presidenta do Chile foi vítima de um pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro.

“Bolsonaro não cansa de vomitar ignorância e envergonhar o Brasil perante o mundo. Minha solidariedade à presidenta Michelle Bachelet e ao povo chileno, que hoje tiveram a memória de seus mortos e desaparecidos violentadas por este senhor”, defendeu Lula.

Depois que Bachelet declarou à imprensa, em Genebra, que houve redução dos espaços democráticos no país, por conta da violência policial e das ameaças e ataques aos defensores dos Direitos Humanos, Bolsonaro disparou contra a líder chilena, ao sair do Palácio do Planalto.

Segundo ele, Bachelet “se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai, brigadeiro à época”. Alberto Bachelet morreu sob tortura de ex-colegas de farda em 1974, aos 51 anos.

Bolsonaro disse ainda que Bachelet defende “direitos de vagabundos”, e que “quando a gente não tem o que fazer, vai lá para a cadeira de Direitos Humanos da ONU”.

A fala do presidente brasileiro repercutiu mal inclusive perante o presidente do Chile, Sebastián Piñera, que é de perfil conservador e aliado de Bolsonaro. “Não compartilho da alusão feita pelo presidente Bolsonaro com respeito a uma ex-presidente do Chile (Bachelet) e, principalmente, a um assunto tão doloroso quanto a morte de seu pai”, disse Piñera.

O jornalista chileno Mario Dujisin, que foi chefe do Departamento Internacional e Imprensa Estrangeira do Chile até o golpe de Estado de 1973, classificou Bolsonaro como falso e ignorante sobre quem era Salvador Allende ao dizer que o golpe de Pinochet “salvou o Chile de uma ditadura cubana”.

“Mas é claro, isso seria pedir demais à pobre cabecinha do capitão-presidente. Suas especializações são mentiras e insultos, especialmente dirigidos a mulheres, como a senhora Macron ou a senhora Bachelet. Esse maravilhoso Brasil merece algo muito melhor”, afirmou Dujisi à Folha de S.Paulo.

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