Dilma: recontar mortos equivale ao crime de ocultação de cadáveres

"Tornar invisíveis as vítimas da Covid19 por meio de uma maquiagem estatística não vai diminuir a epidemia, abrir vagas em hospitais e esvaziar cemitérios. E é um grave insulto à memória dos mortos por uma doença que o governo se recusa a enfrentar", disse a ex-presidente Dilma Rousseff, em artigo publicado no seu blog

Dilma cobra queda de preços dos combustíveis.
Dilma cobra queda de preços dos combustíveis. (Foto: Brasil247)
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Por Dilma Rousseff, em seu blog – O Brasil atingiu uma fase cada vez mais aguda da epidemia do coronavírus, com recordes de mortes, que chegaram a 1.400 vítimas fatais num único dia e com a devastadora média de um óbito por minuto.

Agora, o governo acrescentou à sua já notória negligência no enfrentamento da crise do Covid-19 um ato estarrecedor e patético de irresponsabilidade, além de absolutamente ineficaz, que é atrasar a liberação dos dados e questionar sua veracidade. No mundo da internet, apesar do Governo de Bolsonaro, os dados serão obtidos junto às secretarias estaduais de saúde, devidamente apurados, somados e divulgados. Todos sabemos que o que está por trás da recontagem dos dados é sua maquiagem, sua redução deliberada para esconder o crescimento vertiginoso dos números de contágio da doença e da perda de vidas. Essa decisão de ocultar as informações sobre os efeitos da Covid19 ocorre justamente no momento em que o Brasil acumula mais de 36 mil mortes e 650 mil contaminados, tornando-se o epicentro mundial da pandemia.

De forma precipitada, por pressão liderada por Bolsonaro, alguns governos estaduais e prefeituras passaram a liberar o acesso ao comércio e às ruas, afrouxando as medidas de distanciamento social, única maneira até agora de conter a propagação da doença num país que, como o Brasil, não tem testes, nem respiradores, leitos de UTI e equipamento hospitalar em volume suficiente para atender a população.

Esconder informações oficiais, sonegando dados que deveriam ser de domínio público, é um método típico de regimes autoritários, como a ditadura militar brasileira, que pretendeu ocultar, naquela época, o aumento das mortes por meningite. Foi um fracasso e até hoje lembramos dessa malfadada tentativa.

Recontar mortos no contexto atual equivale a cometer crime de ocultação de cadáveres, de triste lembrança para quem, durante a ditadura militar, perdeu parentes e amigos cujos assassinatos jamais foram admitidos pelo estado. Tornar invisíveis as vítimas da Covid19 por meio de uma maquiagem estatística não vai diminuir a epidemia, abrir vagas em hospitais e esvaziar cemitérios. E é um grave insulto à memória dos mortos por uma doença que o governo se recusa a enfrentar, como se, para Bolsonaro e seus apoiadores, as vidas dos brasileiros não tivessem importância, o que ele demonstra em seguidas declarações, tais como “morrer é o destino de todo mundo”, “eu não sou coveiro” e o ainda mais desdenhoso “e daí?”

Mas as vidas brasileiras importam, sim, e devem ser protegidas, não apenas da epidemia do coronavírus, mas também de um governo obscurantista e irresponsável, que não demonstra empatia pelo povo ao qual devia servir. A coincidência perversa da tragédia de uma epidemia com a catástrofe de um governo de índole e comportamento fascistas só será superada com a destituição de Bolsonaro, o combate prioritário à doença, a retomada da atenção aos direitos do povo e o restabelecimento da democracia em sua plenitude.

Dilma Rousseff foi a primeira mulher presidente da República no Brasil, eleita em 2010, reeleita em 2014 e alvo de um golpe de estado em 2016.

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