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Dilma "vai entrar de cabeça" na campanha em SP

Líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto diz que segundo turno na capital paulista "se trata de uma disputa de projetos" e que a presidente sabe que "Serra é contra o Brasil"

Dilma "vai entrar de cabeça" na campanha em SP

Por Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual - Líder da bancada do PT na Câmara, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) era só felicidade algumas horas depois de a apuração das urnas em São Paulo confirmar a ida do candidato petista, Fernando Haddad, ao segundo turno das eleições municipais. Confiante na virada contra José Serra (PSDB), Tatto aposta em uma presença mais constante da presidenta Dilma Rousseff na capital paulista durante as próximas semanas de campanha e já fala na costura de apoios a Haddad e em "reproduzir em São Paulo a bem-sucedida coligação que dá apoio ao governo Dilma".

Tatto avalia como "uma grande vitória política do PT" a votação de Patrus Ananias em Belo Horizonte, apesar de o petista ter perdido a eleição no primeiro turno para o prefeito Márcio Lacerda, do PSB. Sobre a relação entre o PT e o partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o líder petista na Câmara afirma acreditar que ainda seguirão juntos na política nacional.

Satisfeito com o resultado de Fernando Haddad em São Paulo?

A campanha do Haddad foi um sucesso absoluto e o resultado da eleição mostrou que realmente na cidade de São Paulo continua a existir a polarização entre PT e PSDB. Vamos agora para o segundo turno e vamos ganhar a eleição. O resultado em São Paulo mostra também que a força do Lula continua a mesma e que o que está dando certo no Brasil tem de dar certo em São Paulo. E, para dar certo, tem de ser com o PT, tem de ser com o Haddad.

O adversário de Haddad, José Serra, venceu o primeiro turno. Isso o torna favorito para o segundo turno?

Não, porque o Serra conseguiu pegar todos os votos que podia já no primeiro turno, que é o voto útil anti-PT, anti-Brasil. Então, a partir de agora o crescimento dele será muito pequeno, a margem de crescimento dele é muito pequena. Por isso, estamos totalmente confiantes de que o Haddad vai ganhar no segundo turno.

O PT já costurou apoios? Vai procurar Celso Russomano?

O PMDB, por intermédio do Gabriel Chalita e do vice-presidente Michel Temer, já declarou apoio ao Haddad. Vamos buscar ainda o apoio do Russomanno e também o do PTB. Vamos tentar reproduzir na cidade de São Paulo a bem-sucedida coligação que dá apoio ao governo de Dilma Rousseff. Vamos ganhar as eleições para fazer em São Paulo o que está sendo feito no Brasil.

O PT paulista espera uma maior presença da presidenta Dilma Rousseff durante a campanha para o segundo turno?

Claro, com certeza. Agora, a presidenta Dilma vai entrar de cabeça e dia e noite vai fazer campanha em São Paulo porque se trata de uma disputa de projetos, uma disputa de Brasil que tem a ver com 2014. A presidenta terá uma agenda muito extensa em São Paulo. A eleição é contra o Serra e ela sabe que o Serra é contra o Brasil. E o Brasil precisa de São Paulo. Nesse sentido, a Dilma irá participar diretamente da campanha, com certeza.

Como avalia o desempenho do PT no restante do Brasil? E, em específico, a derrota do petista Patrus Ananias em Belo Horizonte para o prefeito Marcio Lacerda?

O resultado é muito recente, precisamos fazer uma avaliação mais cuidadosa. Sabemos que o PT cresceu no Brasil todo em termos de voto nominal. É evidente que você tem algumas capitais onde o PT perdeu e outras onde ganhou. No caso de Belo Horizonte, mesmo perdendo, a força demonstrada pelo PT é muito grande. Para quem achava que o ex-governador Aécio Neves tinha hegemonia... O Patrus saiu no último dia como candidato e teve uma votação expressiva. Ele agora é um candidato em potencial a governador de Minas Gerais. Nem sempre quando você perde eleitoralmente perde também politicamente. Eu considero que em Belo Horizonte houve uma grande vitória política do PT em função de a eleição mostrar que a propalada hegemonia do Aécio não é verdadeira.

E outros embates do PT com o PSB no Nordeste? A relação entre os dois partidos não será a mesma depois destas eleições?

O PSB é um partido irmão do PT. É um partido que está conosco desde a época do Miguel Arraes, não é de hoje, e estará conosco em 2014. Em que pesem nossas divergências momentâneas na disputa municipal, que tem suas características muito localizadas, o projeto de mudança do Brasil terá continuidade e o PT estará junto com o PSB com certeza. Não vamos deixar divergências menores, momentâneas e localizadas atrapalharem nosso projeto de Brasil. De um Brasil que deu certo com o Lula e está dando certo com a Dilma. Por isso que o PSB estará conosco em 2014.