Dilma versus Lula: o jogo de 2014 já começou
Quem segurou Orlando Silva no foi a presidente Dilma, mas sim seu antecessor, Luiz Incio Lula da Silva; a batalha da prxima eleio presidencial j comeou e, hoje,o xadrezpoltico no Brasil se resume a duas peas: rei e rainha
247 – “O governo não condena ninguém sem provas e parte do princípio civilizatório da presunção de inocência”. Com estas palavras, a presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota, na noite da última sexta-feira, que selou a permanência de Orlando Silva no Ministério dos Esportes. Antes disso, porém, o governo chegou a sondar Edson Arantes do Nascimento, o inatacável Pelé, para o Ministério dos Esportes. Sinal de que a expectativa, no Palácio do Planalto, era uma só: a de que Orlando Silva chegasse à reunião da última sexta-feira com a carta de demissão nas mãos.
Orlando Silva, no entanto, preferiu resistir. E o fez orientado por ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, líder que é de seu partido, Orlando Silva ganhou a adesão de todos os membros do PCdoB e nenhum nome parecia disposto a aceitar substituí-lo nos Esportes. O ministro estava tão certo de sua força, advinda de Lula, que chegou a tuitar sua permanência antes mesmo que o Planalto divulgasse uma nota oficial. Ou seja: de modo pouco elegante, antecipou o anúncio de uma decisão da presidência da República.
Choque de titãs
O caso Orlando Silva não é o primeiro em que Lula e Dilma se colocam em campos opostos – mas é o primeiro em que a vontade dele se impõe à dela.
Aliás, na primeira demissão do governo Dilma, a do “superministro” Antônio Palocci, Lula também fez de tudo para que ele fosse mantido no cargo. E Dilma, se quisesse, teria boas justificativas para mantê-lo. Na véspera da demissão o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, arquivou a representação contra Palocci por “falta de provas”. E se o governo de fato leva em conta a presunção de inocência, Palocci deveria ter permanecido.
Também não é fato que, diferentemente de Palocci, Orlando Silva ficou porque teve coragem para enfrentar o que os militantes de esquerda na internet chamam de “imprensa golpista”. Palocci também tentou resistir o quanto pôde. A diferença é que, mesmo sem provas, foi demitido simplesmente porque Dilma quis demiti-lo.
“O barbudo tem que voltar”
Depois de Palocci, foi a vez de Alfredo Nascimento, dos Transportes. Que prova foi apresentada contra ele? Qual é a denúncia – judicial, e não midiática – que pesa contra o senador amazonense? Até agora, nenhuma.
Mas ele também caiu porque Dilma quis que ele caísse, para substituí-lo pelo secretário-executivo do Ministério, Paulo Passos.
Naquele momento, começou a se disseminar, entre os partidos da base aliada, a impressão de que Dilma não honraria compromissos assumidos com aqueles que apoiaram sua eleição.
A tal ponto, que Alfredo Nascimento disse uma frase enigmática e que ainda ecoa nos meios políticos: “O barbudo tem que voltar”.
O strike no PMDB
Passadas as demissões de Palocci e de Nascimento, veio o strike no PMDB, com as quedas de Nelson Jobim, na Defesa, Wagner Rossi, na Agricultura, e Pedro Novais, no Turismo.
Jobim foi outro nome que Lula quis preservar – ambos são notórios defensores da compra dos caças franceses, decisão que Dilma fez por bem adiar. Rossi era peça fundamental no projeto do vice-presidente Michel Temer de viabilizar a candidatura de Gabriel Chalita. Novais, indicação de Sarney. Contra eles, não havia prova alguma no momento da demissão. Só agora, por exemplo, Rossi está sendo alvo da primeira ação judicial.
O jogo de 2014
No script inicialmente traçado por Lula, Dilma ficaria quatro anos no poder e ele retornaria, nos braços do povo, em 2014. Ocorre que, aparentemente, ela decidiu ficar. E não parece ser acidental o fato de que a “faxina” presidencial atinge preferencialmente jogadores escalados por ele – não por ela. O que, aos poucos, cola na opinião pública a imagem de que Dilma, ao contrário de Lula, não compactua com o “malfeito”, como tem dito FHC.
Desconstruir a imagem de ministros indicados por Lula significa, a médio prazo, começar a desconstruir a imagem de Lula.
Até agora, Dilma vinha ganhando todas as batalhas – invisíveis para a maioria – travadas com o antecessor.
No caso Orlando Silva, perdeu a primeira.
Dilma e Lula são hoje os dois presidenciáveis para o jogo de 2014.
Quem vence esse jogo?