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Duas mulheres fortes confrontam erros do PT

Ex-prefeita Luiza Erundina e senadora Marta Suplicy alertam, cada uma a seu modo, para barbeiragens políticas grosseiras do PT; ampliação à direita, primeiro na busca por Gilberto Kassab e, nesta segunda 18, pelo acordo com Paulo Maluf, se esboroou na sinceridade delas

Duas mulheres fortes confrontam erros do PT (Foto: Edição/247)

Marco Damiani _247 – Deu m... A lógica do PT de abrir seu chamado arco de alianças à direita, na longa tentativa, praticada até dois meses atrás, de obter o apoio do prefeito Gilberto Kassab e, agora, mais à direita ainda, no acordo fechado nesta segunda-feira 18 com o ex-governador Paulo Maluf, nos jardins de sua mansão, não colou. Foi preciso que duas mulheres, ambas ex-prefeitas eleitas pelo partido, nas duas únicas vezes que a legenda governou a maior capital do País, alertassem, ainda que inutilmente, a legenda sobre o tamanho do erro.

A primeira a dizer que não ia dar certo foi a senadora Marta Suplicy, que se recusou a receber Kassab no evento que comemorou os 32 anos do PT, em fevereiro. Desde lá, não há quem convença Marta a participar de atividades ao lado do candidato, nem se conhece qualquer declaração dela incentivando seus fãs a formarem com ele. Hoje, foi a vez da voz respeitada da ex-prefeita Luiza Erundina dizer um aberto e irretorquível não. "Eu não aceito", resumiu ela, sem dúvida refletindo a opinião de, neste momento, incontáveis eleitores. Pesquisas irão dizer quantos porcentualmente eles são – e as urnas de 7 de outubro, em primeiro turno, mostrarão exatamente o tamanho do estrago.

Liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que impõs Haddad ao partido, em nome do novo, e excluiu Marta com seus 30% de preferências, a estratégia do PT constrange e confunde as mais experimentadas lideranças do partido, e, até mais ainda, a militância de base. Haddad só tem podido contar com Lula, uma vez que não se escutam, até aqui, pronunciamentos efetivos a seu favor de dirigentes partidários e representantes dos diretórios zonais, a exceção dos presidentes nacional e municipal da legenda. A surda reclamação do partido diante das manobras de Lula só foi quebrada pelo posicionamento das duas mulheres.

Como paga pela sinceridade, Marta já vê seu ambiente no PT ficar cada vez mais restrito. Erundina, suspensa por um ano da agremiação ao aceitar ser ministra da Administração no governo do então presidente Itamar Franco, em 1992, deixou o partido no ano seguinte. Agora, interessados em sua expressão tipicamente de esquerda, os petistas foram buscá-la no PSB para compor a chapa da Haddad – mas hoje chegou a vez de ela própria recusar a companhia do partido, numa vingança que não buscou.