É a privatização de Dilma?

Governo chama de concessões; debate sobre termo adequado para a entrada da iniciativa privada em 7,5 mil km de rodovias e 10 mil km de ferrovias, agora, e portos e aeroportos, mais tarde, dividirá situação e oposição; o certo é que a presidente conta com os empresários para o Brasil crescer; "Não estamos vendendo patrimônio para fazer caixa ou pagar dívidas", frisou; "O Brasil vai ficar mais rico e mais moderno nesse processo"

É a privatização de Dilma?
É a privatização de Dilma? (Foto: Edição/247)
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247 – Em cerimônia na manhã de hoje, no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff emplaca a sua segunda rodada de concessões de grandes equipamentos de infraestrutura para a iniciativa privada, com a criação da Empresa de Planejamento e Logística. Rodovias e ferrovias federais serão abertas à possibilidade de investimentos privados, em troca da cessão da exploração comercial. Em fevereiro, o governo já havia usado modelo semelhante em relação aos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas. Numa terceira etapa, as concessões federais se estenderão outra vez a aeroportos, portos e hidrovias. "Esta é uma tarefa de Estado, que vamos estabelecer para a melhoria da nossa infraestrutura e da qualidade de vida do nosso povo", disse a presidente. "Investimento é a palavra chave". No total, o pacote de investimentos vai chegar a R$ 133 bilhões.

O plano do governo é ousado. Hoje serão lançadas as bases para a concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias, a serem construídas em cinco Estados e no Distrito Federal, a partir de investimentos estimados em R$ 42 bilhões. Em ferrovias, o pacote é ainda maior. Dez mil quilômetros de ferrovias entrarão em leilão, com a necessidade de R$ 91 bilhões em investimentos. O governo criou um operador para o setor ferroviário. "Vamos fazer isso junto com o setor privado. O governo irá contratar a construção e a operação", informou a presidente. "Vamos continuar cumprindo nosso papel de indutor do desenvolvimento e vamos compartilhar com o setor privado os investimentos", completou. "As parcerias que estamos propondo são muito atraentes em finaciamentos e rentabilidade", afirmou. "Nós não estamos nos desfazendo de patrimônio público para fazer caixa ou pagar dívidas. Reconhecemos as parceriais como fundamentais" para a dinamização da economia. Os lotes serão leiloados em abril de 2013. Um dos critérios para estabelecer os vencedores será o da cobrança do menor pedágio. Daqui até lá, os interessados tem a chance de entender as minúcias dos projetos.

O movimento de Dilma poderá ser comemorado tanto pelos governistas, como pela turma da oposição. A diferença será a nomenclatura. O PSDB já saudou o primeiro movimento, de fevereiro deste ano, como a admissão de Dilma ao modelo de privatizações. A tucana Elena Landau chegou a dizer que a presidente saira do armário em relação ao dogma da esquerda que tem nas estatizações seu lei mais alta. O ex-presidente Fernando Henrique, igualmente, cobriu a presidente de elogios. Uma nova onda de afagos oposicionaistas à presidente tem tudo para começarm de novo.

Abaixo, notícia da Agência Brasil desta quarta-feira 15, 10h49:

Daniel Lima, Pedro Peduzzi, Sabrina Craide e Yara Aquino
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – O governo anuncia neste momento o Programa de Investimentos em Logística para rodovias e ferrovias com o objetivo de estimular uma maior participação da iniciativa privada nos investimentos de infraestrutura no país. Serão concedidos 7,5 mil quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias.

Os investimentos, nos próximos 25 anos, vão somar R$ 133 bilhões, sendo que R$ 79,5 bilhões serão investidos nos primeiros cinco anos. Para as rodovias, o total investido será R$ 42 bilhões e para as ferrovias, o programa de investimentos soma R$ 91 bilhões.

Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, estão previstas a duplicação dos principais trechos rodoviários do país e a expansão da malha ferroviária brasileira. “Temos a convicção de que o o imperativo para o desenvolvimento acelerado do país é a disponibilização de uma ampla e moderna rede de infraestrutura logística eficiente e a prática de tarifas módicas, custos de operações de transportes baratos”, disse Passos.

Nas próximas semanas, serão anunciadas também concessões para portos e aeroportos. Participam do solenidade no Palácio do Planalto, os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Miriam Belchior; de Minas e Energia, Edison Lobão; da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, e da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. Estão presentes alguns dos principais empresários do Brasil.

No início da manhã, antes da cerimônia de anúncio, o plano foi apresentado aos representantes das centrais sindicais pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. As medidas também foram discutidas com empresários do setor.

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