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Eleição de 2014 assume feitio da disputa de 1989

Naquele ano houve 22 concorrentes, mas apenas dez competitivos; agora, com a chegada de Fernando Gabeira, do PV, os postulantes com chances reais de ida para o segundo turno já são sete, mas ainda cabe gente nessa nave; além disso, próxima disputa, a exemplo da primeira após a redemocratização, poderá ter a presença do ex-presidente Fernando Collor, como antecipou 247; cada qual procurando marcar posição para alcançar o segundo turno; isso é bom para a favorita Dilma?

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Marco Damiani 247 – Do jeito que segue a nave de presidenciáveis, um ano e oito meses antes das eleições marcadas para outubro de 2014, sempre há tempo para caber mais um. Nesta sexta-feira 22, lançado formalmente pelo PV, chegou a vez do ex-deputado federal Fernando Gabeira conseguir um lugar na janelinha ou, pelo menos, perto dela junto a esta trupe animada.

Com a clara missão de marcar uma posição diferenciada do Rede Sustentabilidade, partido que se forma em torno da candidatura da ex-senadora Marina Silva, Gabeira pretende concorrer pelo PV com uma plêiade ainda mais ampla de bandeiras consideradas alternativas e, claro, aferrado às tradicionais palavras de ordem da agremiação preservacionista. Os verdes avaliaram, a princípio corretamente, que, sem um candidato minimamente competitivo, correriam o risco de serem engolidos, na prática, pelo apetite do Rede. O chefes do novo partido, que ainda depende de 500 mil assinatura para se confirmar, creem dispor, no próximo ano, de no mínimo os mesmos 20% de votos conquistados pela presidenciável Marina em 2010. A repetição seria uma vitória. Um acréscimo, a glória. A chegada ao segundo turno, uma verdadeira consagração.

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Com Gabeira buscando seu espaço nesta jornada, já se podem contar sete candidatos de perfis e agremiações diferentes entre si, cada um deles acreditando em suas próprias forças, e em alianças mais tarde, para deixar os demais para trás. Sobretudo querem marcar posições, ampliar bancadas, estarem presentes na maior festa da democracia brasileira. Um quadro numericamente inferior ao de 1989, quando, nas primeiras eleições presidenciais pós-ditadura militar, nada menos que 22 postulantes se inscreveram. Naquele ano, porém, os que realmente tinham chances eram dez, e maior supresa entre eles, o então jovem governador de Alagoas Fernando Collor de Mello, acabou empalmando a vitória em segundo turno contra o em tese mais poderoso Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

Por duas razões, 2014 lembra 1989. Uma é o amplo leque de concorrentes competitivos. Outra pode ser pela presença, como antecipou 247 em reportagem exclusiva esta semana, do próprio Collor entre os concorrentes, agora pelo vitaminado PTB em lugar do raquítico PRN. "Collor embaralha o quadro", adianta o ex-presidenciável Anthony Garotinho, que para o próximo ano já escolheu ser candidato a governador do Rio de Janeiro em lugar de tentar outra vez o voo nacional. Com o seu PR, Garotinho que brilhou nas eleições municipais do Rio de Janeiro, em 2010, pode – por que não? – ser uma das alavancas de Collor para resgatar seu sonho de poder.

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O ex-presidente dispõe de pesquisas que lhe concedem, hoje, projeções de até 16% do eleitorado no próximo ano. Esse porcentual é maior do que os institutos de pesquisas concedem a três presidenciáveis que, ainda que não tenham confessado a intenção com todas as letras, se movimentam feericamente em direção à rampa do Palácio do Planalto: Aécio Neves, do PSDB, Eduardo Campos, do PSB, e Marina Silva, do Rede – os problemas que a levaram a sair do PV para fundar seu próprio time perfuraram, pelo visto, sua cesta de votos de dois anos atrás. O desafio será fazer a recostura.

Um dos melhores oradores do Senado, independente, sempre pronto para despachar torpedos à esquerda e à direita, Collor, desta feita, terá a sustentá-lo o PTB de estrutura nacional e um certo eleitorado cativo. Como acredita o deputado Garotinho, o ex-presidente poderá tirar votos até mesmo do PT, radicalizando a crítica ao governo, e com o potencial de galvanizar os votos ao centro e à direita. "Num quadro com muitos candidatos, cada voto é importante para definir o segundo turno", assegura Garotinho.

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Entre duas agremições melhor estruturadas em termos de amplitude partidária, PSDB e PSB já parecem concorrer entre si. Nos últimos tempos, toda as semanas o senador Aécio Neves, dos tucanos de Minas, e o presidente pernambucano dos socialista, governador Eduardo Campos, realizam movimentos estratégicos de modo a estarem posicionados na corrida sem, no entanto, darem eles próprios as suas respectivas largadas. Com o discurso, na quarta-feira 20, sobre o que considera serem os 13 fracassos do PT no poder, Aécio, na prática, escreveu a agenda de sua candidatura. Quando o ex-presidente Lula, naquela noite, lançou a presidente Dilma Rousseff à reeleição, deu seu aval para a amarração feita por ela com o PMDB do vice-presidente Michel Temer e, assim, liberou Campos para agir como melhor lhe convier. Isto é, ser mesmo candidato, como querem muitos de seus correligionários e aliados. "Eduardo terá mais chances de chegar ao segundo turno em 2014 do que em 2018", reflete o senador e conselheiro informal do governador, senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB. Um dos  motivos é que as realizações de seu governo no coração do Nordeste estarão fresquinhas para serem avaliados pelo eleitorado.

O senador Aécio já disse que candidatura, entre os tucanos, é para ser definda apenas em 2014. Mas já agora, no mês de maio, ele poderá se tornar presidente nacional do PSDB, ganhando ainda mais visibilidade e a obrigação de percorrer nacionalmente suas bases, numa campanha aberta, ainda que não assumida. Com tantos candidatos, porém, o ex-governador de Minas terá de caprichar no discurso de oposição, para não sucumbir como 'mais um' em meio aos demais. Parece fácil, mas ele próprio sabe que não é. Até mesmo o senador Cristovam Buarque, do PDT do Distrito Federal, com seu bem articulado discurso sobre educação e ética, será adversário do tucano no encalço da classe média anti-PT. O próprio Aécio não espera encontrar nenhuma reserva de mercado à sua espera.

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Com seis adversários, até aqui, fora novas supresas, a presidente Dilma vai contando com a unidade do PT. O ex-presidente Lula deu um passo atrás em suas pretensões e lançou sua sucessora para mais quatro anos de mandato. É de se acreditar, mas igualmente mantém-se aberta a janela para, em caso de soluços graves na economia, Lula tomar a frente da cena até a data limite para a definição das candidaturas. Dilma, enquanto maneja o crescimento, conta com o vice Michel Temer para que o PMDB não lhe cause problemas. Diante de tantos pré-candidatos de olho em sua posição, ela tem motivos para acreditar que não conseguirá repetir um grande arco de alianças em torno de seu nome. Além do PMDB deverá se chegar o PC do B, e, de efetivo, isso pode ser tudo.

Pode-se encontrar analistas que vislumbrem, para Dilma, tanto um bom quanto um mau cenário para 2014, em relação à lista de presidenciáveis. No primeiro caso, o argumento é do que a candidatura é a mais definida, podendo até mesmo atrair o chamado voto útil. Os que entendem, ao contrário, que um grande número de adversários de oposições irá resultar numa verdadeira razzia contra seu governo, o raciocínio é o de que os partidos irão trabalhar a idéia da demarcação de posições no primeiro turno, com o chamado voto ideológico, para só pensar em conciações na segunda volta. Foi assim em 1989.

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Nesse quadro em formação, não se descarta a chance de o ex-presidenciável José Serra mudar-se para o PPS de Roberto Freire, onde tem convite, para tentar a sorte com seu discurso técnico, e nem mesmo o ex-governador Paulo Maluf, como fecho de uma carreira de quase 50 anos de política, aparecer na televisão como candidato do PP será tão surpreendente assim. "Você já me conhece!", poderá dizer ele com sua voz inigualável.

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