Em 2012, FHC dizia que caixa 2 era crime

"O absurdo maior no mensalão é considerar como caixa 2, como se caixa 2 não fosse crime. Como se fosse normal. 'Ah não, foi só caixa 2'. O que é isso? Caixa 2 é o uso do poder econômico por baixo dos panos para afetar o resultado de eleição. É grave", declarou o ex-presidente em setembro de 2012, ao falar sobre o mensalão do PT; na semana passada, ele divulgou uma nota afirmando que é preciso diferenciar o caixa 2 que serviu para financiar campanhas e o repassado para enriquecimento próprio

RJ - ACRJ/FHC - ECONOMIA - O ex-presidente da República e presidente do   Instituto FHC, Fernando Henrique Cardoso, é   o convidado de honra do tradicional Almoço   do Empresário, realizado pela Associação   Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), nesta   qua
RJ - ACRJ/FHC - ECONOMIA - O ex-presidente da República e presidente do Instituto FHC, Fernando Henrique Cardoso, é o convidado de honra do tradicional Almoço do Empresário, realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), nesta qua (Foto: Gisele Federicce)

247 - A opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o caixa 2 mudou consideravelmente diante das circunstâncias. Em setembro de 2012, em uma declaração ao jornalista Luís Eduardo Gomes, a respeito do mensalão do PT, FHC afirmou:

"O absurdo maior no mensalão é considerar como caixa 2, como se caixa 2 não fosse crime. Como se fosse normal. 'Ah não, foi só caixa 2'. O que é isso? Caixa 2 é o uso do poder econômico por baixo dos panos para afetar o resultado de eleição. É grave".

Em janeiro de 2014, essa opinião mudou quando o ex-presidente tratava do mensalão tucano. Segundo ele, o episódio que ocorreu na campanha pela reeleição de Eduardo Azeredo, em 1998, em Minas Gerais, não se compara ao chamado "mensalão do PT" porque "foi, eventualmente, desvio de recursos para campanha eleitoral e não compra sistemática de apoio para o governo no Congresso" (relembre aqui).

Na semana passada, FHC divulgou uma nota em defesa do colega Aécio Neves, acusado de ter recebido R$ 9 milhões via caixa 2 da Odebrecht, afirmando, porém, que o caixa 2 usado para financiar campanhas deve ser tratado de forma diferente pela Justiça do caixa 2 repassado para o enriquecimento próprio.

"Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção", disse ele.

Há outros dois pontos em que FHC também deu declarações opostas de acordo com a circunstância: a validade de uma delação premiada - quando se trata do PT e outros adversários, é tratada como verdade, sem direito à defesa, mas quando contra o PMDB, é preciso averiguar, uma vez que são apenas relatos de criminosos - e em sua crítica à imprensa - que segundo ele prestou um "mau serviço" ao país ao "ser usada por quem não é criterioso" quando não separou o joio do trigo no caso do PSDB.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247