Emails comprovam que governo Bolsonaro negociou oficialmente com empresa que denunciou propina de US$ 1 por dose

Emails comprovam que o Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro negociou oficialmente a venda e propina para a aquisição de vacinas com representantes da Davat Medical Supply

www.brasil247.com - Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, segura ampola da Covaxin
16/01/2021
REUTERS/Adnan Abidi
Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, segura ampola da Covaxin 16/01/2021 REUTERS/Adnan Abidi (Foto: Reuters)


247 - Emails mostram que o Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro negociou oficialmente venda de vacinas com representantes da Davat Medical Supply. Um representante da empresa afirmou nesta terça-feira (29) ao jornal Folha de S.Paulo que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de assinar contrato. No total, Jair Bolsonaro pretendia lucrar com US$2 bilhões gerados com o esquema de corrupção.

Segundo a reportagem, as mensagens da negociação foram trocadas entre Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do ministério, Herman Cardenas, que aparece como CEO da empresa, e Cristiano Alberto Carvalho, que se apresenta como procurador dela.

O próprio Dias envia um email em que menciona uma reunião ocorrida sobre o tema. Ele é apontado como o autor do pedido de propina —sua exoneração do Ministério da Saúde foi anunciada na noite de terça (29) após as revelações. 

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Um dos emails foi trocado às 8h50 do dia 26 de fevereiro deste ano, por meio do endereço funcional de Dias, "[email protected]", e "[email protected]" —"dlog" é como o departamento de logística é chamado.

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Na conversa, Cardenas informa da oferta de 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca, citando Luiz Paulo Dominguetti Pereira como representante da empresa. "Fico no aguardo para ajudar a obter vacinas para seu país", diz.

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Dominguetti disse ao jornal Folha de S.Paulo que jantou na noite anterior àquela manhã com Roberto Dias no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, em Brasília, quando ouviu, segundo ele, o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina negociada.

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