Energia e política

Dilma provocou uma reação irada tanto da mídia quanto da oposição ao fazer um pronunciamento anunciando a redução na conta de luz. E a acusação fácil, pequena, pobre, quase indigente, foi a de que ela estaria fazendo campanha

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O projeto político que o PT e os partidos aliados têm conduzido no Brasil desde 2003 vem realizando transformações profundas no País, isso é inegável. Por quaisquer critérios que se queira, dos fundamentos da economia à distribuição de renda, os governos de Lula e de Dilma vem mudando o Brasil, e para muito melhor. Saímos da turbulência e da insegurança do governo FHC, que nos levou três vezes ao FMI, que conduziu uma privatização profundamente irresponsável para com os destinos da Nação. E, além de tudo, não desenvolveu quaisquer políticas que pudessem distribuir renda, muito ao contrário do que vem sendo feito nos últimos dez anos, que assistiram a uma mudança notável na vida de milhões de brasileiros, para muito melhor.

Aquilo com que a esquerda sonhava há décadas, a ideia de um amplo mercado de massas, tornou-se uma realidade palpável, e nem mesmo a crise internacional que abala o mundo desde 2008 conseguiu mudar os rumos seguidos pelo governo de Lula e de Dilma. Nos últimos dias, tentou-se criar um clima negativista, não fosse essa uma tentativa constante, sobretudo, a partir da idéia de que o Brasil estava à beira de um apagão semelhante ao desastre do início dos anos 2000, quando FHC, aí sim, jogou o País na escuridão. Sequer se referiam àquele desastre. Trombeteava-se o desastre do governo Dilma, especialmente depois que ela anunciara a redução das tarifas de energia para o povo e para o empresariado. Aqui, na crítica, casavam-se o mundo tucanodemista e a mídia, não fosse esse um casamento duradouro, que esgrimiam argumentos absolutamente coincidentes.

A presidenta Dilma, com sua atitude de manter o prometido, reduzir as tarifas e em níveis acima dos anunciados anteriormente, e de falar para toda a Nação anunciando a medida e criticando o catastrofismo crônico da oposição e da mídia, embora não as nominasse assim, provocou uma reação irada, tanto da mídia, quanto da oposição. E a acusação fácil, pequena, pobre, quase indigente, foi a de que ela estaria fazendo campanha. Ora, tratava-se de uma obrigação de governante – informar a população sobre uma medida que teria impacto sobre suas vidas.

Pena, para a mídia hegemônica e para a oposição, fosse uma medida que beneficiava a população. Pena que antes tentaram jogar ao descrédito o anúncio feito. E depois ainda passaram recibo, neste caso apenas a oposição tucana, de apelar ao Judiciário para questionar a aparição da presidenta em cadeia nacional, querendo até censurar o vermelho – aí Estanilau Ponte Preta teria razão, é o Festival de Besteira que Assola o País, o Febeapá, e com ares oficiais, vindo de um partido legalmente registrado no País.

Anda meio às tontas, a oposição – e quando me refiro a ela, não separo a chamada mídia hegemônica, aquele grupo de famílias que controlam o discurso midiático brasileiro, ou querem controlá-lo. Ora diz que Lula será candidato, e por todos os meios querem interditar a sua ação política, como se não tivesse credibilidade para atuar, se movimentar, continuar ajudando o projeto político do qual foi o principal protagonista. Ora, diz que Dilma é a candidata, e querem também calar a sua voz, como se pudessem. Penso que a grande tarefa que lhe cabe, e agora falo apenas na oposição partidária estrito senso, é dizer que ela quer para o Brasil, qual o projeto que defende para a Nação. Ninguém sabe.

Claro que ao se colocar contra a redução da tarifa de energia, ao defender com tanto vigor as empresas de energia, sem pensar no povo e no desenvolvimento econômico, revela que a pretensão é voltar ao desastre do neoliberalismo. Todos gostariam muito de saber, assim às claras, qual o projeto. Se for o neoliberalismo, que o diga, que o coloque à mesa para que floresça o debate. O Brasil já repudiou esse projeto. São três eleições em que o povo brasileiro disse não às loucuras daquele modelo. Se não for, por impróprio, que diga qual é. Só não vale o vago choque de gestão com que às vezes se apresentam. Choque de gestão rima com a palavra austeridade, de uso farto numa Europa em crise que só fala em cortar salários, demitir, desempregar, diminuir o valor do salário mínimo, muito diferente de um Brasil que tem vivido à beira do pleno emprego e que nos últimos dez anos valorizou o salário em 60% reais.

A presidenta Dilma até brincou com um jornalista que perguntou se ela era candidata à reeleição – "você está me lançando?", e seguiu adiante sem dar muita importância ao fato. Seguramente, de tudo que se sabe, ela o será. Tem feito um governo que a credencia para tanto, o povo tem reconhecido nela uma admirável liderança, sente que o País tem uma direção segura, tem emprego, distribuição de renda, e não quer perder isso. E ela, sabemos, tem plena consciência do quanto ainda há por fazer. Luta para acabar com a miséria extrema, espera até acabar com ela ainda em 2014. O segundo mandato dela, muito possível, será para avançar ainda mais, e sempre no sentido de o Brasil criar as condições para um País cada vez mais solidário, justo, onde sempre desenvolvimento possa significar repartição da renda, e não concentração. Um Brasil que dê dignidade a todos os brasileiros e brasileiras.

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