Esperando o quê, Serra?

Ninguém me ama, ninguém me quer... essa é a realidade do ex-governador José Serra no ninho tucano

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Ex-prefeito, ex-governador e ex-presidenciável com 44 milhões de votos, José Serra vem sendo expurgado do PSDB, numa cerimônia pública, executada com requintes de crueldade. No plano nacional, ele foi completamente isolado no processo que, em maio, irá coroar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato ao Palácio do Planalto e também como presidente do partido, sem nenhum rastro de oposição interna. Em São Paulo, o serrista Andrea Matarazzo, vereador mais votado nas últimas eleições, foi humilhado na eleição para o diretório municipal.

Não bastassem as derrotas sucessivas, há ainda o cinismo interno. Apontado como responsável direto pela derrota de Matarazzo (e, portanto, de Serra), o governador Geraldo Alckmin tirou o time de campo. "Não gostei da decisão, mas não sou coronel para ficar obrigando as pessoas a votar", disse. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por sua vez, minimizou uma eventual saída de Serra do PSDB. "Meu palpite é que fica", afirmou. Simples assim, um mero palpite, sem nenhuma indicação de que irá se esforçar na direção contrária.

O quadro para José Serra no PSDB é tão sombrio que se assemelha a uma famosa canção de Antonio Maria: "Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor, a vida passa, e eu sem ninguém, e quem me abraça não me quer bem, vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso, e hoje descrente de tudo me resta o cansaço, cansaço da vida, cansaço de mim, velhice chegando e eu chegando ao fim".

É uma situação desoladora, mas Serra tem ainda um ombro amigo: o do companheiro Roberto Freire, que tenta inflar o seu recém-criado Mobilização Democrática, fruto da fusão entre o PPS e o PMN. Com o MD já fechado com o projeto presidencial do pernambucano Eduardo Campos, restaria a Serra um final de carreira honroso, com a disputa pelo governo de São Paulo, em 2014, contra o "aliado" Geraldo Alckmin – o que também poderá contribuir para que o PSB tenha um palanque forte em São Paulo.

No entanto, quando a maré é negativa, tudo dá errado. Se prevalecer a decisão da Câmara dos Deputados contra a criação de novos partidos, limitando seu acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de televisão, o MD terá pouquíssimas chances de sucesso. E o grande cisma tucano poderá acabar se resumindo ao expurgo de José Serra.

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