'Este governo tem que ser diferente', diz Heleno
O General Augusto Heleno, futuro chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional) diz que o governo Bolsonaro será diferente: "tem que ser diferente; não pode continuar nesse negócio que está aí. É muita bandalheira, muita falta de vergonha, muita gestão desastrosa"; ele prossegue: "o Brasil perdeu a capacidade de ser um país querido do seu povo. O cara tem que ter orgulho de ser brasileiro. Não pode encarar patriotismo, amor à pátria, como sendo uma coisa boba, irrelevante. A pessoa tem que gostar do país, não só na hora do futebol"
247 - O General Augusto Heleno, futuro chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional) diz que o governo Bolsonaro será diferente: "tem que ser diferente. Não pode continuar nesse negócio que está aí. É muita bandalheira, muita falta de vergonha, muita gestão desastrosa". Ele prossegue: "o Brasil perdeu a capacidade de ser um país querido do seu povo. O cara tem que ter orgulho de ser brasileiro. Não pode encarar patriotismo, amor à pátria, como sendo uma coisa boba, irrelevante. A pessoa tem que gostar do país, não só na hora do futebol".
A reportagem do jornal Valor, em tom de relato, traça a rotina da equipe de transição em meio às turbulências internas, notícias desfavoráveis e percepções desconfiadas e narra a festa de aniversário do general Villas Bôas, que completou 67 anos na última quarta-feira, 8 de novembro: "O presidente eleito, Jair Bolsonaro, chega sob forte escolta. Os jornalistas, proibidos de permanecer na porta do salão, são conduzidos para cerca de 300 metros dali. Ficam na escuridão, em um gramado isolado por grades, onde duplas de soldados armados controlam quem entra, quem sai e quem se aproxima".
A matéria prossegue sua narrativa: "perto da meia-noite, após três horas de festa, o comboio de Bolsonaro deixa o local. A imprensa começa a se desmobilizar. Nesse momento, os faróis de um carro quebram a escuridão. 'Está indo para onde?', pergunta o homem de cabelos brancos e com pronunciado sotaque carioca. Para a surpresa do repórter, quem lhe oferece carona é o general Augusto Heleno, 71 anos, indicado por Bolsonaro ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)".
E materializa mais uma vez a voz do general: "o país está num estado lamentável. Uma divisão ideológica sem sentido, uma pregação, sabe? Principalmente em vocês, jovens. Uma pregação nefasta. Uma intolerância. Se você não for de esquerda, é fascista. Um negócio muito estranho."
Heleno acusa o PT: "quem fez a divisão do país entre nós e eles, ricos e pobres, negros e brancos, índios e não índios foi o PT".
E avalia a conjuntura geopolítica: "o problema da América do Sul é que as elites sempre ignoraram os mais pobres (...) Isso é um absurdo. Eu acho que a culpa do que acontece na América do Sul é das elites. As elites sempre viveram para si e sempre ignoraram a desigualdade social".