Ex-motorista da Fazenda vendia informações confidenciais
Evaldete de Almeida j havia sido alvo de uma operao da Polcia Federal em 2008
Evam Sena_247, em Brasília – A ex-motorista do Ministério da Fazenda, Evaldete Santana de Almeida, demitida na última sexta-feira, 14, foi uma das 32 pessoas presas em agosto de 2008 em Mato Grosso, na Operação Dupla Face da Política Federal que investigou esquemas de corrupção na Receita Federal e no Incra. Almeida é uma das suspeitas de vazar informação de que o Copom (Conselho de Política Monetária) iria baixar a taxa de juros em agosto deste ano, privilegiando donos de bancos.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou, horas antes da demissão da motorista, que abriu investigação para sobre movimentações atípicas de instituições financeiras às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que baixou a Selic em 0,5 ponto porcentual.
A Receita Federal, onde Almeida estava lotada, negou ao Brasil247 que a demissão esteja relacionada ao possível vazamento de informações privilegiadas do Banco, mas não deu informações sobre o processo administrativo que originou na punição. Segundo a Receita, a apuração foi aberta há dez meses.
O pedido de demissão feito pelo ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, publicado no Diário Oficial, afirma que a motorista revelou “segredo do qual se apropriou em razão do cargo” e se valeu “do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública”.
A Operação Dupla Face, deflagrada em 2008, revelou um esquema criminoso em que funcionários do Incra e da Receita Federal cobravam propina, que variava de R$ 100 a R$ 30 mil, para oferecer facilidades junto aos órgãos.
Na Receita, servidores, entre eles Almeida, cobravam dinheiro para vazar dados sigilosos, cancelar irregularmente créditos tributários e fraudar processos de restituição de imposto de renda. No Incra, funcionários cooptavam fazendeiros interessados em obter irregularmente a certificação de suas propriedades rurais.
Para a operação, a Justiça expediu 34 mandados de prisão temporária e 65 mandados de busca e apreensão em cinco Estados. Os "alvos" incluíam 18 servidores dos dois órgãos e 16 despachantes que atuavam como intermediadores, entre eles o procurador federal do Incra em Mato Grosso, Antônio Reginaldo Galdino.
Almeida era motorista oficial do cargo de pessoal do Ministério da Fazenda. A Receita Federal não confirmou a data de admissão, para quem ela dirigia e qual o motivo da demissão.