Fernando Henrique: "Preconceito parou País por dez anos"
Ex-presidente se mostra mordido com o sucesso dos recentes leilões de concessões de aeroportos e da rodovia BR-163; "Quando tudo dá certo, eles (petistas) dizem que são campeões de concessões, mas o mais importante é fazer bem feito", ressalvou ele; falando em evento do PSDB em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Fernando Henrique afirmou que "o Brasil precisa se reinventar não só economicamente, mas também socialmente"
247 - Os tucanos estão mordidos com o sucesso das concessões feitas pelo governo federal nas últimas semanas. É o que se depreende pela manifestação, neste sábado 30, do ex-presidente Fernando Henrique, feita em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Falando em evento do PSDB, ele adotou a linha de criticar o PT por não ter executado antes um programa de privatizações e concessões. "Pararam dez anos os investimentos em infraestrutura no Brasil por preconceito ideológico", disse FHC.
A afirmação, no entanto, não é totalmente exata. No governo Lula, as usinas de Jirau e Santo Antonio, assim como a rodovia Fernando Dias, foram concedidas. Na gestão Dilma, o aeroporto do Galeão foi concedido por R$ 19 bilhões, com ágio de 294% e, na semana passada, a BR-163 teve um corte de 52% na tarifa de pedágio estabelecida no início da disputa.
FHC precisou admitir que os recentes leilões de concessão de aeroportos e rodovias foram uma decisão acertada. ""Quando tudo deu certo dizem que são campeões de concessões, mas o mais importante é fazer bem feito, com transparência", criticou. FHC também atacou a condução da economia por parte do governo Dilma e condenou a sistemática de controle da inflação empregada pela equipe econômica.
Um dos pontos destacados por ele foi a demora do banco Central em fixar a taxa de juros, o que teria resultado em uma elevação tardia e maior que a necessária em um primeiro momento. O "afrouxamento" da Lei de Responsabilidade Fiscal também foi citado pelo ex-presidente ao lembrar que descontrole nas contas públicas acaba por elevar o endividamento de Estados e municípios gerando incertezas quanto ao futuro."O Brasil precisa se reinventar. Não só economicamente, mas socialmente. Acabar com a ilusão do marquetismo", afirmou.