FHC defende sua aproximação com Lula: "Ele nunca esqueceu sua origem e sempre governou respeitando as leis"

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu sua aproximação com Lula em entrevista ao argentino Clarín. "Ele nunca esqueceu sua origem e sempre governou respeitando as leis. Lula representa esse sentimento médio do brasileiro que quer algo para acabar com a pobreza”, disse FHC

Ex-presidentes FHC e Lula
Ex-presidentes FHC e Lula (Foto: Reuters | Ricardo Stuckert)
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247 - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu sua aproximação com o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi numa entrevista ao jornal argentino Clarín: “Ele nunca esqueceu sua origem e sempre governou respeitando as leis. Lula representa esse sentimento médio do brasileiro que quer algo para acabar com a pobreza”. FHC disse também que "Lula mostrou quando foi presidente que é mais democrático do que eu imaginava".

Na entrevista, FHC também criticou as declarações de Bolsonaro na pandemia. “Não pode dizer que é uma gripe. É mais do que isso. O que acontece é que o atual presidente não percebeu a cadeira onde está”, afirmou FHC. Bolsonaro “é perigoso”, acrescentou.

Leia principais trechos da entrevista traduzidos para o português:

 Você disse que está disposto a votar em Lula em uma cédula, o que move esse pacto?

- Não gostaria de ver o presidente Jair Bolsonaro reeleito. Eu nunca votei negativamente. Prefiro votar positivamente. Espero que seja alguém do meu partido, do PSDB. Se por acaso isso não acontecer (no primeiro turno), poderemos enfrentar uma situação difícil. Bolsonaro ou Lula. Na última vez em que aconteceu uma situação semelhante, preferi anular a votação. Não sei se teria agora coragem de anular a votação.

-A opção já está feita ...

- (Ele reflete por um momento) Lula mostrou quando foi presidente que é mais democrático do que eu imaginava. Lula fez uma ponte. Ele nunca esqueceu sua origem e sempre governou respeitando as leis. Lula representa esse sentimento médio do brasileiro que quer algo para acabar com a pobreza.

-Por que você acha que em 2002 ou agora os mercados estão assustados com o Lula que governou com uma economia ortodoxa, reduziu o gasto público, gerou superávit fiscal de 5% e os bancos privados tiveram ganhos históricos?

- Conheço o Lula há muitos anos. Quando o conheci, ele era o líder de um sindicato em São Bernardo (no estado de São Paulo). Lula nunca foi um homem ligado a partidos de esquerda. Mas não acho que ele seja da direita ou da esquerda. Eles vão apresentá-lo como se fosse um vermelho, faz parte da luta política. Mas, não é verdade, nunca foi assim.

- Bolsonaro não tem partido. Ele quer criar o bolsonarismo e ao mesmo tempo fala sobre 'Meu Exército'. Qual é a sua opinião?

- Bolsonaro representa uma classe média baixa ansiosa por crescer. Ele é um militar por formação. Ele era um deputado. Eu era senador, era ministro, era presidente e nunca o vi. Erro meu não prestar atenção. Foi um fenômeno marginal. Se eu faço a distinção entre Lula e Bolsonaro, é porque Lula tem partido. Isso te limita e te dá força, simultaneamente. É tudo mais previsível quando há partidos.

- Em outras palavras, há muitos militares no governo Bolsonaro. Qual é a sua opinião? Como você vê a democracia no Brasil?

- Aqui estava um líder chamado Octavio Mangabeira, que dizia que a democracia é uma planta tenra que tem que ser regada todos os dias. Você tem que estar sempre vigilante. Há preocupação porque há cada vez mais soldados com voz no governo. Meu pai era general e meu avô marechal. Não tenho o preconceito de que os militares vão para a política enquanto houver partidos. Não tenho medo de que o Bolsonaro se encaminhe para a militarização. Não acho que haja um pensamento militarista. Existe uma pobreza de imagens. Ele só conhece militares e então os nomeia. Pode ser um mau negócio? Pode. A imprensa sublinha com razão os riscos da situação para o país, mas não creio que sejam riscos iminentes. Os militares mudaram, eles sabem que é melhor ter divisão de poderes, respeitar os poderes. Não creio que haja intenção dos militares de voltar a governar o país. O que não significa que nós, democratas, não precisemos receber atenção o tempo todo.

- Bolsonaro está sendo investigado por sua gestão da pandemia. Como você vê isso?

- É importante porque tem que prestar contas à opinião pública. O governo poderia ter estado mais atento à pandemia. Eu não levo isso a sério. O presidente não pode dizer que é uma gripe. É mais do que isso. O que acontece é que o atual presidente não percebeu a cadeira onde está. A cadeira é pesada. Eu experimentei isso. Quando você fala, você não pode dizer nada. Porque o que é dito é tomado pelo valor de face e pelo adversário. Acredito que o atual presidente é espontâneo no que fala, mas é perigoso. A opinião pública não perdoa essas coisas.

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