HOME > Poder

Folha acusa Lula de beneficiar Bumlai

Jornal paulista alega que BNDES burlou regra interna na concessão de um empréstimo para o pecuarista no valor de R$ 101,5 milhões; empresa que tomou o empréstimo, a São Fernando Energia, não estaria apta a receber financiamento por conta de uma cobrança judicial de R$ 523 mil; o recurso foi tomado para quitar um debito com o Banco do Brasil, ele próprio, ao lado do BTG, o agente financeiro da operação; BNDES nega favorecimento e afirma que regra é flexível; o advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, diz que não houve favorecimento nos empréstimos que o BNDES concedeu ao empresário: "A amizade com o Lula não trouxe benefício algum a Bumlai"

Jornal paulista alega que BNDES burlou regra interna na concessão de um empréstimo para o pecuarista no valor de R$ 101,5 milhões; empresa que tomou o empréstimo, a São Fernando Energia, não estaria apta a receber financiamento por conta de uma cobrança judicial de R$ 523 mil; o recurso foi tomado para quitar um debito com o Banco do Brasil, ele próprio, ao lado do BTG, o agente financeiro da operação; BNDES nega favorecimento e afirma que regra é flexível; o advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, diz que não houve favorecimento nos empréstimos que o BNDES concedeu ao empresário: "A amizade com o Lula não trouxe benefício algum a Bumlai" (Foto: Realle Palazzo-Martini)

247 - O jornal Folha de S. Paulo publica reportagem acusando o ex-presidente Lula de beneficiar o empresário e amigo José Carlos Bumlai por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A alegação que a instituição emprestou R$ 101,5 milhões ao pecuarista supostamente subvertendo uma norma que proíbe a concessão de crédito a empresas cuja falência tenha sido requerida na Justiça. A operação aconteceu em julho de 2012. 

Segundo a Folha, em novembro de 2011 um fornecedor foi à Justiça conta a empresa de Bumlai para receber uma dívida de R$ 523,2 mil, o que impediria a concessão do crédito. Em 2013, a empresa pediu recuperação judicial e culpou a política de preços da Petrobras, que desestimulou a produção de álcool combustível.

A empresa que recebeu o dinheiro é a São Fernando Energia 1, que produz eletricidade a partir de bagaço de cana. Com dívidas de R$ 1,2 bilhão, o grupo São Fernando teve a falência requerida na Justiça pelo próprio BNDES e pelo Banco do Brasil por inadimplência. O grupo deve R$ 330 milhões ao BNDES.

Tanto o BNDES quanto o empresário José Carlos Bumlai negam que tenha havido favorecimento nos empréstimos que foram concedidos a ele.

A regra da restrição judicial é flexível, alega o banco. "Se não fosse assim, qualquer credor de uma empresa que protocolasse um pedido de falência poderia impedir a contratação do crédito, com ou sem um motivo razoável para isso", disse o BNDES em nota.

Mas por ter se tratado de uma operação indireta, nas quais outros bancos fizeram o repasse e assumiram o risco do crédito, caberia ao Banco do Brasil e ao BTG "proceder a análise cadastral e exame das certidões das beneficiárias finais, conforme as regras do BNDES".

Já o Banco do Brasil nega que tenha sido omisso na análise financeira da São Fernando Energia: "A operação de julho de 2012 foi efetuada exclusivamente para liquidar crédito contratado junto ao BB em 2010. Não houve qualquer liberação de recursos novos para a Usina São Fernando em 2012".

Advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho diz que não houve favorecimento nos empréstimos que o BNDES concedeu ao empresário, e que as operações não seriam aprovadas por bancos privados. "Banco público e de fomento existe justamente para conceder crédito para quem não consegue tomar recursos no mercado", afirma. "A amizade com o Lula não trouxe benefício algum a Bumlai", diz.