Franklin mostra força na sucessão da EBC
Ex-ministro da Secretaria de Comunicao Social, Franklin deixou o governo junto com o ex-presidente Lula, mas segue como referncia na rea de Comunicao. Desta vez, foi decisivo para a escolha de Nelson Breve para assumir a Empresa Brasil de Comunicao no lugar de Tereza Cruvinel
Evam Sena_247, em Brasília – A Empresa Brasil de Comunicação, responsável pela TV Brasil e canais públicos de rádio, televisão e internet, completou nesta quinta-feira quatro anos, dando fim também ao mandato da jornalista Tereza Cruvinel como presidente. A escolha de seu substituto, o ex-secretário de Imprensa da Presidência Nelson Breve, deverá ser oficializada na próxima segunda-feira, antes de a presidente Dilma Rousseff viajar à França.
A corrida pela vaga de presidente da EBC abriu uma disputa não só no setor de comunicação do governo, mas no PT. Quem saiu fortalecido foi o ex-ministro Franklin Martins, que indicou Nelson Breve, hoje superintendente de Tecnologia da Informação da EBC e ex-secretário de Imprensa no governo Lula. Ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin deixou o governo junto com o ex-presidente Lula, mas segue como referência nos assuntos de Comunicação.
Uma ala do PT defendia a recondução de Tereza Cruvinel e afirma que a saída da presidência era um atestado de má gestão. Para alguns petistas, Tereza teve um papel importante não só de articulação política para a aprovação da criação da EBC no Congresso, como também de sustentação da empresa pública nos seus primeiros anos.
Outra parte do PT, liderada por Franklin Martins, fazia pressão por Nelson Breve. A versão de Tereza, que fazia campanha para continuar o cargo, é de que Dilma teria a convidado, mas ela recusou e defendeu renovação, uma vez que já sabia da candidatura de Breve.
Na verdade, a situação de Tereza não estava boa entre os conselheiros da EBC, que não têm poder para eleger, mas podem demitir dirigentes. Eles trabalhavam abertamente contra a recondução da jornalista e, em agosto, chegaram a cogitar abertamente um pedido de impeachment da jornalista.
Mesmo com o fortalecimento do nome de Nelson Breve, os conselheiros planejavam lançar um candidato próprio à presidência da EBC, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Murilo César Ramos, que é nome recorrente sempre que surgem notícias de sucessão na área das Comunicações no governo. A proposta, contudo, não chegou a ser apresentada. O conselho tem trabalhado por mais independência do governo e contra ingerência política na gestão da empresa.
Indicada por Lula com aval de Franklin, Tereza Cruvinel teve uma gestão marcada por polêmicas. Desde 2008, pelo menos três diretores e um âncora de telejornal se demitiram reclamando de ingerência política ou de autoritarismo.
No ano passado, o candidato derrotado à Presidência José Serra (PSDB) acusou a emissora de favorecer Dilma, após uma repórter da TV Brasil perguntar se, conforme fora informada por fontes anônimas, ele extinguiria o Bolsa Família. O episódio levou o Conselho Curador a exigir a publicação de um manual de redação.