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Governador ao mar ou mais um ataque especulativo?

Noblat prev abandono de Agnelo pelo PT, partido nega e GDF demonstra tranquilidade, afirmando que Cachoeira tentou se infiltrar no governo, mas sem xito

Governador ao mar ou mais um ataque especulativo? (Foto: Divulgação)
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247 – Num post publicado nesta sexta-feira, e cujo conteúdo foi reproduzido neste sábado pelo jornal O Globo, o jornalista Ricardo Noblat previu a queda do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, em razão de 70 ligações que ligariam seus secretários ao contraventor Carlos Cachoeira. O próprio PT estaria decidido a atirá-lo ao mar. De acordo com Noblat, haveria até a possibilidade novas eleições no Distrito Federal. A informação ecoou no blog do jornalista Lauro Jardim, da revista Veja, que falou em intervenção no Distrito Federal. A informação, no entanto, foi negada pelo presidente do PT, Rui Falcão, que falou que o partido mantém confiança no governador.

No Palácio do Buriti, o caso foi tratado como mais um ataque especulativo contra o governador Agnelo Queiroz e que não mereceria resposta. Segundo o GDF, todas as gravações mostram que o contraventor, já influente em Goiás, tentou se infiltrar no Distrito Federal, mas sem êxito. Uma das evidências é o fato de Demóstenes Torres, braço político de Cachoeira, ter sido a voz mais eloquente a pedir o impeachment de Agnelo Queiroz. Além disso, reportagens da revista Veja, produzidas pela equipe de Cachoeira, tentavam dobrar o GDF.

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Neste sábado, o jornal Estado de S. Paulo afirma que Agnelo favoreceu a Delta ao pedir ao governo anterior não interrompesse contratos essenciais. Um deles, o da varrição e coleta de lixo, exercido pela empreiteira de Cavendish. Segundo o GDF, o pedido não demonstra favorecimento, mas preocupação com a população do Distrito Federal.

Leia, abaixo, o post de Noblat:

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70 gravações ligam secretários de Agnelo a Cachoeira

Em sigilo, as cabeças mais coroadas do PT nacional já admitem que é irreversível a situação do governador Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, envolvido via alguns dos seus principais auxiliares com a gang do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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O envolvimento está comprovado em no mínimo 70 gravações de conversas por telefone grampeadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça. A direção nacional do PT e parte da direção do PT de Brasília ouviram algumas das gravações mais comprometedoras.

Começou a pressão sobre Agnelo para que ele renuncie ao cargo. Se ele concordar que não lhe resta outra saída, a pressão passará a ser exercida sobre seu vice, Tadeu Felipelli, do PMDB. Nada até agora foi descoberto que ligue Felipelli com Cachoeira.

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Mas o PT não quer entregar o governo ao vice, que no passado foi homem de confiança do ex-governador Joaquim Roriz. Caso ele e Agnelo renunciem aos mandatos, haverá nova eleição direta para os dois cargos. É o que manda a lei quando metade dos mandatos não foi cumprida.

Não será fácil para o PT eleger o sucessor de Agnelo. Primeiro porque o partido não dispõe de um candidato natural. O próprio Agnelo nunca foi petista. Era do PC do B. Entrou no PT só para ser candidato ao governo.

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O partido dispõe de pesquisas de intenção de voto que apontam José Roberto Arruda como, disparado, o nome mais forte para disputar a vaga de Agnelo. Arruda (DEM) se elegeu em primeiro turno governador do Distrito Federal em 2006.

No final de novembro de 2009, a Polícia Federal descobriu que ele paga o apoio de deputados distritais com dinheiro tomado de empresas que prestavam serviços do governo. Era o mensalão do DEM. Em um vídeo, de antes de ele ser eleito, Arruda apareceu recebendo dinheiro de um assessor de Roriz

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Preso em fevereiro de 2010, Arruda depois renunciou ao mandato. Seu vice, o empresário Paulo Octavio, acabou renunciando também. A Câmara Distrital elegeu um governador para completar o mandato dos dois. Até hoje, o Ministério Público não denunciou Arruda.

Anteontem, Agnelo concedeu entrevista negando que tivesse se reunido com Cachoeira. Ontem, voltou atrás e admitiu que se reunira com ele. Agnelo soube que seriam divulgadas gravações onde seus dois secretários mais poderosos diziam querer "se enturmar" com o próprio Cachoeira.

As gravações foram transcritas, hoje, no site da revista VEJA. Eis parte do relato da revista:

"Paulo Tadeu, deputado federal licenciado e titular da Secretaria de Governo, e Rafael Barbosa, velho amigo do governador e atual secretário de Saúde do Distrito Federal, jantaram em 7 de abril do ano passado com Cláudio Abreu, parceiro de primeira hora de Carlinhos Cachoeira que tinha como incumbência tocar os contratos da máfia com o poder público, especialmente nos setores de obras e limpeza urbana.

O jantar foi num restaurante japonês de Brasília. Enquanto esperava os dois secretários, Cláudio Abreu telefona para Cachoeira e diz que a conversa serviria para “amarrar os bigodes”. “Estou aqui no restaurante esperando o Rafael e o Paulo Tadeu", diz. "Os dois vêm cá para amarrar os bigodes comigo. Vamos ver como é que vai ser”. Ele não entra em detalhes acerca do que se seria tratado.

Cachoeira demonstra estar informado sobre a reunião e sugere que Cláudio Abreu – que formalmente se apresentava como diretor da Delta Construções, empreiteira que a investigação aponta como integrante do esquema – convide os dois secretários para uma orgia em Goiânia: “Marca uma p... com eles amanhã aqui em Goiânia. Aí eu chamo as meninas”. Cláudio Abreu, então, propõe que o encontro seja marcado para a semana seguinte: “Não, vamos fazer semana que vem”.

Cerca de duas horas depois, Cláudio Abreu interrompe o jantar para pedir um número de telefone a Cachoeira. O contraventor aproveita para saber como estava indo a conversa. Ouve como resposta a notícia de que Paulo Tadeu e Rafael Barbosa desejavam “se enturmar” com o próprio Carlinhos Cachoeira. Em relatório, a Polícia Federal descreve assim o diálogo: "Carlinhos pergunta se está boa a conversa com o amigo e Cláudio diz que tá bom para c... e querem (Paulo Tadeu e Rafael) se enturmar com Carlinhos".

Atualização das 23h31 - Nota de esclarecimento. Sobre a matéria publicada nesta sexta-feira (13) no Blog do Noblat “70 gravações ligam secretários de Agnelo a Cachoeira”, a direção nacional do Partido dos Trabalhadores quer destacar a sua total confiança no governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

Fica, assim, desmentida a suposta pressão da direção para que ele renuncie ao cargo.

Rui Falcão, Presidente nacional do PT

Leia ainda a reportagem do Estado de S. Paulo:

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), intercedeu em favor da construtora Delta, suspeita de ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, antes mesmo de tomar posse. Em ofício ao então governador Rogério Rosso (PMDB), protocolado em 15 de dezembro de 2010, o petista, na condição de eleito, pediu a prorrogação de todos os contratos essenciais, entre os quais os do lixo, com vencimentos previstos até 2011.

Agnelo foi identificado nas escutas da Polícia Federal como o “01 de Brasília” pela organização desmantelada pela Operação Monte Carlo.

O maior dos contratos beneficiados foi justamente o da Delta, orçado em mais de R$ 90 milhões anuais. Até agora, Agnelo vinha sustentando que jamais intercedeu ou fez ato de ofício em favor da empresa, detentora de 70% dos serviços de limpeza urbana no DF.

A Delta é suspeita de financiar a campanha de Agnelo com caixa 2 e depois cobrar a “fatura eleitoral”, contrapartidas, conforme sugerem diálogos interceptados pela PF com autorização judicial, divulgados pelo Estado.

No ofício, Agnelo pede outras manutenções de contrato, além do serviço de limpeza urbana.

A Delta nega irregularidades na obtenção do contrato ou que tenha pago propina a dirigentes do governo para favorecer seus negócios, como sustenta a PF no inquérito da Monte Carlo. A empresa informa ainda que afastou do cargo o diretor regional da empresa em Goiânia, Cláudio Abreu, indiciado como braço direito da organização comandada por Cachoeira.

A Delta detém dois dos três lotes da limpeza urbana do DF, o que inclui o Plano Piloto e sete cidades-satélites. O contrato totaliza R$ 472 milhões em cinco anos, com vencimento previsto para 2012. Em 2010, o contrato foi suspenso após a descoberta de que a empresa usou atestado falso de capacidade técnica, fornecido pelo governo do Tocantins. Mas a Delta vem se mantendo até hoje à frente do serviço mediante sucessivas liminares obtidas na Justiça do DF.

A fatia da Delta representa 70% dos serviços de varrição de ruas, coleta de lixo, tratamento de resíduos, pinturas de meio fio, remoção de entulho e lavagem de paradas e monumentos públicos. Os outros 30% estão nas mãos da empresa Valor Ambiental, autora da recurso contra ilegalidades no contrato da concorrente, que acabou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Há uma semana, a corte acatou a reclamação e mandou suspender o contrato, mas a empresa disse que vai recorrer.

Incremento. A chegada de Agnelo ao Palácio do Buriti coincide com o vultoso incremento dos repasses à Delta. Em 2010, a empreiteira recebeu R$ 19,4 milhões do governo, valor que saltou para R$ 92,8 milhões em 2011, primeiro ano do petista no poder. Este ano, a empresa já recebeu R$ 27,5 milhões.

Desde 2007, quando o governador era José Roberto Arruda, a Delta detém contratos de limpeza urbana no DF.

O governador informou, por meio de sua assessoria, que havia decisão judicial em favor da empresa e que o ofício a Rosso é uma praxe de governos eleitos, para evitar interrupção de serviços públicos essenciais. Além de limpeza urbana, o ofício contempla diversos outros serviços.

 

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