Governo Bolsonaro terá problemas com Biden, diz Thomas Shannon

Ex-embaixador no Brasil durante o governo de Barack Obama, Thomas Shannon afirma que a agenda do Partido Democrata não é favorável às políticas de Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente a aos costumes, mas diz que a pressão contra a China será mantida. Relação com o Brasil não seria mais de submissão, como hoje com Ernesto Araújo e Mike Pompeo

Thomas Shannon e Mike Pompeo com Ernesto Araújo
Thomas Shannon e Mike Pompeo com Ernesto Araújo (Foto: Reuters)
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247 – Um dos mais experientes embaixadores estadunidenses, Thomas Shannon, que atuou no Brasil durante o governo de Barack Obama, afirma que o governo Bolsonaro tende a ter problemas com a administração de Joe Biden, nos Estados Unidos – o que tende a acontecer caso as pesquisas se confirmem. "A agenda do Partido Democrata não é favorável ao presidente Bolsonaro”, disse ele, em entrevista à jornalista Marsílea Gombata, publicada no Valor, citando temas ambientais e LGBTQ. “As políticas do partido democrata são diferentes das de Bolsonaro está. E isso criaria problemas na relação com o Brasil.”

Shannon explicou quais seriam as restrições de Biden. "Seja em temas ambientais, direitos de povos indígenas ou sobre questões sociais, como temas LGBTQ ou mulheres, as políticas do partido estão em um lugar diferente do que Bolsonaro está. E isso criaria problemas na relação. Acho que Biden será cuidadoso em como se envolver e vai querer deixar claro que não aceita aspectos da agenda política de Bolsonaro, que é vista de maneira muito negativa pelo Partido Democrata", afirmou.

Sobre Venezuela, ele descartou o risco de uma ação militar. "A pergunta é: quem faria a invasão? Os EUA já estão em guerras no Afeganistão e no Iraque. Temos tropas americanas em risco na Síria, próximas de tropas russas e iranianas. Estamos comprometidos na península coreana e no Japão, e podemos ter de agir a qualquer momento, se a Coreia do Norte decidir lançar mísseis contra a Coreia do Sul ou o Japão. Temos na Ucrânia os russos, que já anexaram a Crimeia, e interferem nos Bálcãs e nos países bálticos. E, nesse contexto, os militares americanos poderiam ser convocados a qualquer momento para guerra na Crimeia, na Síria ou na Europa Central. Uma ação militar americana na Venezuela seria, portanto, altamente irresponsável", afirmou.

Em relação à China, ele afirmou que a relação não seria a mesma do governo Trump, mas disse que países da América do Sul continuariam sob pressão, em questões como o 5G. 

"Acho que é um grande componente estratégico. Ficamos muito preocupados se a Huawei construiria a infraestrutura 5G e ficaremos preocupados com o que colocar lá, que tipo de informação colocamos. Isso realmente pode impactar a cooperação militar, de inteligência, comercial e industrial. Temos de ter garantias de que a informação que estamos transmitindo estará protegida."

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