Guedes vai à Câmara falar sobre offshore: ele mandou a deputados documento com indícios de falsidade ideológica

Ministro da Economia mentiu em documento oficial, a Declaração Confidencial de Informações, o que configura falsidade ideológica. Ele vai à Câmara dos Deputados a partir de 9h30 desta terça

Paulo Guedes
Paulo Guedes (Foto: Ag. Brasil)
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247 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, finalmente irà à Câmara dos Deputados nesta terça-feira (23) para falar sobre sua offshore. Ele estará numa sessão conjunta das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Fiscalização Financeira e Controle e dessa vez não terá escapatória, pois trata-se de uma convocação e não de convite. Documentos que ele enviou à Câmara sobre sua offshore Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas, têm claros indícios de falsidade ideológica, aponta Carta Capital.

Um dos documentos que Guedes enviou à Câmara é a Declaração Confidencial de Informações (DCI) que deve ser apresentada por todo o alto escalão governamental à Comissão de Ética Pública — Guedes entregou a sua em janeiro de 2019. O documentso contém dados patrimoniais, familiares e comerciais, que permitem à Comissão de Ética avaliar se, no cargo, a pessoa estará em conflito de interesse.

Segundo o jornalista André Barrocal, “em duas perguntas de um questionário que consta na declaração, Guedes marcou ‘NÃO’ quando deveria ter assinalado ‘SIM’”. Na primeira questão afirmou não possuir possui cônjuge, companheiro ou parente que atuasse “em área ou matéria afins à competência profissional do cargo” que exerce (o ministro)?”. Também cravou ‘NÃO’ quando perguntado se possuía “sócio ou empregado de pessoa jurídica que atua em área ou matéria afins às atribuições do cargo que ocupa?”. As duas respostas eram falsas. 

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“Nas duas questões, o correto seria que o ministro marcasse o X na opção ‘Sim’. O motivo? Paula Drumond Guedes, sua filha”, anotou Barrocal, que explicou a seguir: “O ministro abriu a Dreadnoughts em 2014, com a filha Paula de sócia. Ambos eram também os diretores. Em 21 de dezembro de 2018, às vésperas de assumir o Ministério da Economia, Guedes abriu mão da direção da empresa, conforme consta em outro documento enviado por ele aos deputados. Era uma tentativa de adequar-se ao Código de Conduta da Alta Administração Federal, que proíbe autoridades de possuir negócios que possam lucrar com decisões ou informações privilegiadas. Ou seja, Guedes seguiu dono da empresa, mas diz que não se envolve nela. Paula é, porém, segue diretora. E, por isso, o pai deveria ter respondido coisa diferente na DCI”

“Ele mentiu à Comissão de Ética. É gravíssimo”, afirma o deputado Elias Vaz (PSB-GO), que tem mergulhado no tema e é um um dos que receberam a papelada do ministro.

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O advogado Mauro Menezes, que presidiu a Comissão de Ética Pública de 2016 a 2018, vê indícios de crime de falsidade ideológica: “Ele induziu a Comissão de Ética a erro.” É um ilícito que, pelo artigo 299 do Código Penal, custa de um a cinco anos de cadeia.

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