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Helena Chagas avisa: Temer não vai demitir nenhum delatado

A jornalista Helena Chagas, que foi secretária de Comunicação da presidente deposta Dilma Rousseff, antecipa que Michel Temer não demitirá nenhum ministro delatado pela Odebrecht; segundo ela, o discurso oficial será o de que investigado não é condenado, até porque o próprio Temer será um dos mais delatados; assim, continuarão no poder ministros como José Serra (R$ 23 milhões na Suíça), Eliseu Padilha (R$ 4 milhões) e Moreira Franco, recentemente nomeado

Helena Chagas (Foto: Leonardo Attuch)

247 – A jornalista Helena Chagas, que foi secretária de Comunicação da presidente deposta Dilma Rousseff, antecipa que Michel Temer não demitirá nenhum ministro delatado pela Odebrecht.

Eis um trecho de sua coluna no site Os Divergentes:

Se depender de Michel Temer, então, nem Moreira e nem ninguém vai perder o cargo quando aparecer na delação da Odebrecht, que já entrou em estado de vazamento e, mais dia menos dia, terá seu sigilo suspenso.

(...)

A estratégia governista é reforçar a narrativa de que delação não é prova, e por isso não se justifica tirar ninguém do governo por ter sido mencionado. Até porque o próprio Michel Temer, sabe-se, figura nos depoimentos. Se ele demitir ministros por causa disso, é natural que, em dado momento, alguém apareça para perguntar se ele também não tem que sair.

Vamos ouvir muito dos governistas a frase de que investigado não é condenado, que servirá também como reação à muito provável abertura de inquérito contra integrantes do governo, a pedido do Ministério Público. E, embora a palavra “celeridade” esteja cercando o noticiário sobre o novo relator, Edson Fachin, é bom não alimentar ilusões: todo mundo conhece o ritmo de investigação,denúncia e julgamento do STF nesses casos. Com Teori, Fachin ou quem quer que seja. Dá tempo de acabar o governo Temer e, quem sabe, o do seu sucessor, antes que algum desses políticos seja condenado.

A estratégia está montada. Se vai dar certo, são outros quinhentos. O governo pode até controlar o Congresso, e ter razoável confiança no ritmo lento do Judiciário, mas há um fator que está sempre fora de controle: a opinião pública e sua reação às revelações mais cabeludas das delações.