Iris faz ameaças à CPMI do Cachoeira e critica PF

Em entrevista, o ex-governador de Goiás não explica denúncias de evasão de divisas de assessor direto, se levanta contra possibilidade de ser convocado e desafia parlamentares e Polícia Federal: "Eles que aguentem se me chamarem"

Iris faz ameaças à CPMI do Cachoeira e critica PF
Iris faz ameaças à CPMI do Cachoeira e critica PF (Foto: Edição/247)

Goiás247_ O ex-prefeito Iris Rezende, em entrevista ao jornal O Popular, de Goiânia, disse em tom irônico que do jeito que tocarem “está disposto a dançar”. A frase aparentemente bem humorada é, na verdade, uma referência ao pedido de convocação do político goiano e de seu ex-assessor Sodino Vieira a participarem da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Diferente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que se ofereceu para depor na CPMI de forma espontânea, Iris se mostra perplexo com a possibilidade de ser chamado, faz ameças veladas aos parlamentares e dispara críticas à atuação da Polícia Federal.

Geralmente sóbrio em suas declarações, o peemedebista se mostrou nervoso com o relatório da Polícia Federal quanto ao seu envolvimento no esquema de Carlos Cachoeira. O ex-prefeito falou em tom de ameaça: “Mas eles que me aguentem se me chamarem, pois tenho muito a mostrar e esclarecer. Esse povo não deve brincar comigo”. “Eles” a que Iris se refere são os parlamentares da CPMI, inclusive sua esposa, deputada federal Iris de Araújo (PMDB), e também os delegados federais e peritos que relacionaram seu nome ao esquema.

A Prefeitura de Goiânia, comandada por Iris Rezende até sua candidatura ao governo de Goiás, está na lista das administrações públicas que apresentam contratos firmados coma Delta Construções.  Foi Iris também que levou a Delta a operar em Goiás, em 2005.

Após reportagem do Estado de S. Paulo, veiculada na última quarta-feira, baseada em dados da Polícia Federal, o político peemedebista e seu assessor entraram para o grupo que negociaram com pessoas próximas de Carlos Cachoeira e Delta. Apesar das evidências, o prefeito disse que é ‘loucura’ desejarem envolver seu nome nos esquemas de Carlos Cachoeira, criticando a conclusão da PF.

A Polícia Federal apurou que teria ocorrido uma suposta triangulação em torno do ex-prefeito de Goiânia, que mantinha obras e contratos com a Delta Construções. O relatório da Polícia Federal aponta que pelo menos em uma situação o ex-assessor Sodino Vieira teria recebido R$ 2 milhões do grupo ligado a Carlos Cachoeira. O negócio envolveria Gleyb Ferreira da Cruz, um dos interlocutores de Carlos Cachoeira.

Sodino Vieira foi o responsável pela coordenação de campanhas eleitorais de Iris em 2008 e 2010. O mais interessante é a relação do filho de Sodino Vieira, arquiteto Sandro Carvalho, com a Delta Construções. Ele esteve próximo da Delta em diversos momentos. Atuou, por exemplo, como coordenador do projeto-executivo de instalação do viaduto da T-63. Sandro era figura próxima de Cláudio Abreu, então diretor da Delta no Centro-Oeste e preso após as revelações da Polícia Federal.

O documento da CPMI que pede a convocação de Iris Rezende reafirma a existência de provas: “Diante dos fortes indícios de envolvimento de Iris Rezende com a organização criminosa objeto desta investigação, a convocação torna-se imprescindível à consecução das investigações a cargo da comissão”.

Na próxima semana, tucanos prometem apresentar novos fatos que podem complicar ainda mais a situação do ex-governador e tornar inevitável a convocação na CPMI.

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