Lupi ganha sobrevida, mas Planalto já discute sucessão

A presidente Dilma cumpre com Lupi o que fez com outros cinco ministros defenestrados por envolvimento em corrupo, dando-lhe o direito de se defender, mas o Planalto j negocia as alteraes com lderes do PDT

Lupi ganha sobrevida, mas Planalto já discute sucessão
Lupi ganha sobrevida, mas Planalto já discute sucessão (Foto: RENATO ARAUJO/ AGÊNCIA BRASIL)
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Evam Sena_247, em Brasília – Enquanto o ainda ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ganha sobrevida com o tempo dado hoje pela presidente Dilma Rousseff para ele se explicar sobre a viagem oficial ao Maranhão feita em 2009 em avião turbo-hélice King Air de Adair Meira, que comanda uma rede de ONGs com convênios com o ministério no valor de R$ 10,4 milhões. 

Lupi assegurou em reunião com Dilma hoje que tem como se defender das denúncias e que vai conversar com o partido e buscar provas. A presidente disse que aguarda as explicações. Lupi terá de se desdobrar para pôr um fim no grande disse-me-disse. Na Câmara, na semana passada, o ministro disse que não viajou com Meira. Em vídeo em evento no Maranhão, os dois aparecem juntos e o próprio presidente de ONG confirmou a viagem. O ministério nega que a viagem foi em avião King Air, mas fotos e vídeos mostram Lupi descendo de aeronave do mesmo modelo. A pasta afirma que a viagem foi paga pelo diretório do PDT, partido de Lupi, no Maranhão. O presidente do diretório regional, Igor Lago, disse hoje que não arcou com o transporte aéreo para a viagem do ministro ao estado.

Além de Dilma, Lupi terá que dar explicações ao Congresso. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou hoje convite para ouvir o ministro em audiência que acontecerá amanhã. Na Câmara, Lupi foi convocado na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, e deverá falar aos deputados pela segunda vez, em data ainda não definida. Parlamentares da oposição que apresentaram os requerimentos argumentaram que há fatos novos para serem explicados.

O cerco contra Lupi se fecha. Na mesma linha do que aconteceu com o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que foi alvo de denúncias com convênios com ONGs, o ministro do Trabalho passou hoje a ser alvo de representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) por iniciativa do PSDB. O partido pede investigação, além da perda de cargo e suspensão dos direitos políticos de Lupi, por ter cometido crime de responsabilidade ao negar aos deputados que viajou com Adair Meira. Sob o mesmo argumento, os tucanos entraram com representação também na Comissão de Ética Pública da Presidência.

O ministro terá que convencer ainda seus correligionários, que escancaram a já divisão do partido em seu apoio. O presidente em exercício do PDT, André Figueiredo (CE), defendeu hoje, "como amigo", que ele deixe o cargo. Lupi é o presidente licenciado da legenda. “Ele o próprio partido passam por desgastes com a crise”, disse. O deputado Paulinho da Força (PDT-SP), porta voz do ministro, diz que ele não quer sair como “corrupto” e que Dilma “quer que ele fique”.

Na realidade, a presidente só cumpre com Lupi o que fez com outros cinco ministros defenestrados por envolvimento em corrupção, dando o direito de se defender. Embora Lupi seja o líder do fato do partido, o que dificulta as negociações sobre sua sucessão, o Planalto já negocia as alterações com líderes pedetistas, como Paulinho da Força. Uma das alternativas é realocar o partido em outro ministério, e o nome mais falado é do ex-senador Osmar Dias (PR).

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