Mais duas histórias brasilienses (e brasileiras)
Vaccarezza defende corruptos de graça, mas Kakay cobra muito caro
Alguém poderia contar ao deputado Cândido Vaccarezza que a função de líder do governo na Câmara não o obriga a defender todo ministro que é acusado de corrupção. É melhor pensar que Vaccarezza tem feito essas defesas por dever de ofício, e não que ele acredite mesmo no que diz. Porque, se acreditar, pode ser considerado bobo, ingênuo ou corrupto como os que defende e que, no fim, acabam mesmo fora do governo.
Nesta quinta-feira Vaccarezza, que é do PT de São Paulo, voltou a defender o indefensável ministro Carlos Lupi. Para ele, não vem ao caso nem mesmo a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que recomendou por unanimidade a demissão do ministro do Trabalho. “Eu tenho o Lupi na conta de um homem honesto”, disse Vaccarezza. “Se forem comprovadas outras coisas contra ele, eu mudo de opinião.”
Com declarações como essas, Vacarezza, pelo jeito, não teme o ridículo e não aprende. Em outras ocasiões em que ministros foram acusados, ele se apressou, diante das primeiras e vazias justificativas dadas por eles, em sentenciar que “o caso está encerrado”. Foi assim desde o primeiro, Antonio Palocci, que caiu alguns dias depois. Vaccarezza fez a defesa gratuita de todos os acusados – até que eles caíssem.
Já o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, também defende os corruptos de Brasília e do Brasil, públicos e privados. Diz que acredita na inocência deles, mas isso não deve ser levado muito a sério, pois ganha muitos milhões de reais para defendê-los, como admite. É de Kakay mais um excelente perfil feito pela repórter Daniela Pinheiro para a revista piauí. O título: “O protetor dos poderosos”.
Este trecho da matéria de Daniela mostra que a corrupção é mesmo ampla, geral e irrestrita, ainda que alguns dos citados ou referidos provavelmente sejam mesmo inocentes:
“Em trinta anos de profissão, ele [Kakay] contou ter defendido dois presidentes (José Sarney e Itamar Franco), um vice (Marco Maciel), cinco presidentes de partido (simultaneamente), quarenta governadores (em períodos diversos), dezenas de parlamentares (atualmente são quinze senadores) e uma penca de ministros (no governo de Fernando Henrique Cardoso foram treze; no de Luiz Inácio Lula da Silva, três; no de Dilma, dois). No mês passado, acrescentou à freguesia um ex-governador, um presidente de Assembleia Legislativa e um juiz de Tribunal de Contas estadual.”
Outro trecho, logo a seguir:
“A capilaridade prossegue na iniciativa privada. De seu portfólio constam empreiteiras (Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS), bancos (Sofisa, BMG, BMC, Pine), banqueiros (Daniel Dantas, Salvatore Cacciola, Joseph Safra), empresários de renome internacional e milionários provincianos, todos num momento ou outro enrolados com a Justiça.”
Os corruptos, corrompidos e corruptores, afinal têm o direito de se defenderem. Com Vaccarezza ou com Kakay, mas é melhor ficar com o advogado. Pelo menos é competente.
