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Chantagem explícita. Festinha insuspeita. Medalhas a granel. O culpado é o acusador. A elite do Congresso

I - Caixinha, obrigado

PT e PMDB brigam pelo controle de diretorias da Caixa Econômica Federal e de cadeiras no Conselho Curador do FGTS. Parlamentares do PMDB ameaçam retaliar o governo no Congresso se perderem influência no banco e no conselho.

Um banco estatal, e com o peso da Caixa, não pode ser lugar de disputas políticas e sua gestão não pode depender de chantagens de partidos. Tem de ter uma administração técnica e competente.

Isso é óbvio até para os políticos, mas eles não vão abrir mão do “bocão” que é a Caixa.

II - Exemplo de incoerência

O senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, é um crítico feroz do governo de Dilma e faz raivosos discursos contra a corrupção.

Na quinta-feira, Álvaro Dias estava entre os que homenagearam o senador Jader Barbalho, do PMDB do Pará, na mansão do senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE). Com risoto de lagosta, vinho de R$ 500 e uma turma da pesada.

Aguarda-se o próximo discurso de Álvaro Dias com denúncias de corrupção.

III - Inutilidade explícita

Boa parte do tempo das autoridades e políticos em Brasília é ocupada com breguíssimas solenidades em que há farta e indiscriminada distribuição de medalhas. Há tantas medalhas e tantos são os agraciados que, na verdade, poucas têm algum valor real. Gasta-se dinheiro, deixa-se de trabalhar e o país nada ganha com isso.

A última solenidade desse tipo em Brasília foi a da entrega da Medalha Ordem do Mérito da Defesa a 270 pessoas que, em sua maioria, nada fizeram para merecê-la. Receberam porque são ministros, parlamentares, governadores e lobistas.

Uma passagem de olhos pelos agraciados com medalhas em Brasília vai mostrar que entre eles está muita gente de quem nenhum de nós compraria um carro usado. E que não escaparia de uma boa investigação da Polícia Federal.

IV - O óbvio negado

Os tucanos, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à frente, reagem irados às acusações de roubalheira feitas contra José Serra e outros correligionários pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. em seu livro “A privataria tucana”.

Assim, só demonstram que o método básico de defesa de políticos acusados de corrupção é sempre o mesmo: nada explicar e desqualificar os que acusam.

Independentemente do que diz o livro, não há um só frequentador da Esplanada ou dos restaurantes caros de Brasília, tão ao gosto dos políticos endinheirados, que não sabe que as privatizações no governo tucano enriqueceram ilegitimamente muita gente e financiaram muitas campanhas eleitorais.

E não há quem não saiba que foi um tucano que encomendou o trabalho a Amaury.

V - É fácil entender

Uma consultoria de Brasília, Arko Advice, divulgou quem foram os 105 deputados e senadores mais influentes no primeiro ano da legislatura. O trabalho se chama “A elite parlamentar 2011”.

A lista é autoexplicativa. Explica por que o Congresso é tão ruim.