Marconi é fruto do PT e do PMDB de Goiás

Em Goiás, o céu para Marconi é de brigadeiro. Ainda mais com tanta ajuda dos inimigos

Um pergunta recorrente sobre Goiás nos últimos meses de Operação Monte Carlo e prisão de Carlinhos Cachoeira é: cadê a oposição ao governador Marconi Perillo (PSDB) no Estado?

Ela não existe, a não ser de forma incipiente, amadora, medrosa.

Vejam o PT. O partido é tido como o grande algoz do tucano. É quem estaria conduzindo toda a CPMI, em Brasília, para desgastar o governador. O ex-presidente Lula é apontado como aquele que, por ódio a Marconi – que o avisou do mensalão –, age com virulência nos bastidores para destruí-lo.

Pois em Goiás o PT é um partido sem voz. Não consegue sequer contrapor a este discurso o fato de que, tempos depois ao suposto aviso de Marconi a Lula, os dois voltaram a se entender e chegaram a acertar a reaproximação, que se daria com o voto do tucano, então senador, ao projeto de ressurreição da CPMF. Um encontro entre as duas partes foi intermediado por José Roberto Arruda a pedido de Marconi. E tudo ficou certo e combinado. O tucano, porém, recuou. Não só votou contra, como discursou criticando a intenção do governo federal. Lula, claro, não gostou. Esse episódio é que, verdadeiramente, azedou a relação entre os dois.

Mas o PT de Goiás não fala nada. Age com medo. Integrantes do partido chegam a ter relações estreitas com o governador. Um deputado, por exemplo, tem Marconi como seu padrinho de casamento. Resultado: a oposição petista ao tucano não vai a lugar nenhum.

O PMDB é outro partido que não sai do lugar em relação ao governador. Passa o tempo criticando-o por cooptar aliados. Enquanto isso, o partido não tem um assessor de imprensa sequer, e nem mesmo tem estratégia de apoio a seus aliados nas campanhas deste ano no interior.

Ou seja: o PMDB não faz política e critica Marconi por fazer. Amador, o PMDB vai para o ataque xingando o profissionalismo alheio. Atitude bonitinha, porém ordinária nos resultados: desde 1998, o partido chora, mas não ganha uma do tucano. Nesse ritmo, imaginem quando ganhará uma eleição no Estado.

São dois exemplos, apenas. Há mais, muito mais. Marconi, sem adversário, deita e rola em Goiás. Goste-se ou não dele, Faz política com força e com competência. Mesmo desgastado (o que pesquisas mostram claramente), está mais forte do que os inimigos, porque, entre outras incríveis façanhas recentes, consegue arrastar para a mesma cachoeira de desgastes, petistas e peemedebistas goianos. É só reparar como são tratados os prefeitos petistas de Goiânia, Paulo Garcia, e Anápolis, Antônio Gomide, e o ex-governador peemedebista Iris Rezende, na CPI do Cachoeira versão Assembleia Legislativa. A inversão do jogo é gritante.

Não há que se louvar a competência de Marconi Perillo como um bem para Goiás. Porque não se trata disso. No entanto, não há como lamentar mais a incompetência de seus poucos oposicionistas. Agindo assim, fazem um mal danado ao Estado. Fazem de Marconi o que ele é como político, em que pese os meios que ele use para atingir seus fins.

Mudanças nesse quadro à vista? Nenhuma. Em Goiás, o céu para Marconi é de brigadeiro. Está com a imagem bastante desgastada agora. Mas nada que um pouco de política possa dar um jeito. Ainda mais com tanta ajuda dos inimigos.

* Vassil Oliveira é jornalista

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