Marconi virou o jogo
Segundo a opinião generalizada, e até agora não desmentida, esta CPMI seria um instrumento do lulismo para vingar-se de Marconi
Tem sido generalizada nos meios políticos e na imprensa nacional a opinião segundo a qual o objetivo real – porém inconfesso – dessa CPMI do Cachoeira é pegar Marconi Perillo. Uma CPMI que, antes de qualquer verificação prévia, estabeleceu como conclusão a de que o governador goiano seria comparsa de Carlos Cachoeira. A partir daí, encena-se uma investigação que nada mais é do que a busca de elementos que confirmem o veredito estabelecido a priori. Segundo a opinião generalizada, e até agora não desmentida, esta CPMI seria um instrumento do lulismo para vingar-se de Marconi. O governador goiano, anos atrás, declarou à imprensa ter, na ocasião, alertado o presidente Lula sobre a existência do tal "mensalão", o que jogava por terra a alegação presidencial de que desconhecia o escabroso fato.
Se o objetivo era mesmo humilhar Marconi e vilipendiar sua reputação, os torquemadas da CPMI quebraram a cara. Os mais importantes colunistas políticos da imprensa nacional comentaram, favoravelmente, a performance do governador goiano diante do Tribunal da Inquisição em funcionamento no palácio do Congresso Nacional. Notaram que Marconi saiu de lá vitorioso. Virou a seu favor um jogo que seus adversários achavam que ganhariam fácil: o jogo da opinião pública.
Compilei várias opiniões. Para não cansar o leitor, citarei apenas as que se seguem:
Ricardo Noblat: "Virou comício de Perillo. Que responde às perguntas e aproveita para exaltar as virtudes do seu governo".
"Fora sentar na CPMI para se explicar (o que é ruim para qualquer político), Perillo se sai bem até agora. Mas há muito chão pela frente".
Cristiana Lôbo: "Ou o relator está muito bem embasado pelas gravações da PF, ou está errático: ora fala da casa, ora da Delta. Marconi segue escapando".
Dora Kramer: "Perillo vem fazendo o que quer na CPMI. Senhor do tempo, inclusive".
Fabiana Pulcineli: "Marconi em geral vai bem. Relator me parece despreparado".
Cileide Alves: "Em seu depoimento em 8/5, Demóstenes optou por uma defesa jurídica; hoje Marconi opta por uma defesa política, de sua imagem e de seu governo".
O fato é que Marconi enfrentou abertamente todos os questionamentos dos membros da egrégia Comissão e provou cabalmente que não tem proximidade com Cachoeira. O bicheiro nunca teve influência no governo de Goiás. Aliás, muito revelador disso é a conversa angustiada que ele, Cachoeira, teve com Andressa, sua mulher, em maio de 2011, grampeada e divulgada à imprensa por algum zeloso guardião do segredo de justiça. Na conversa, ele deixa claro que seus principais pontos estavam sendo fechados pela Polícia de Goiás e pela PF. "A vida degringolou"; "estou perdendo tudo"; "fechamos tudo aqui em Goiânia"; "o que está funcionando é Anápolis, precariamente"; "tô me sentindo um bandido, com vergonha de mim mesmo".
O governador goiano demonstrou que seu nome foi usado indevidamente, levianamente, por Wladimir Garcez, Carlos Cachoeira e outros presunçosos querendo se gabar de possuir acesso fácil a Marconi e influência no governo. Os gabolas querendo vender uns aos outros mercadoria que nunca tiveram em estoque.
Toda gente sabe que aqueles que são envolvidos nesses escândalos midiáticos, inocentes ou culpados, não se safam facilmente. Muitas vezes, nem se safam. Setores oposicionistas locais comemoraram festivamente o envolvimento do nome de Marconi no escândalo Cachoeira. Acreditaram que a CPMI do Congresso e a grande imprensa fariam aquilo que nunca conseguiram: denegrir a imagem do governador goiano a ponto de inviabilizar qualquer projeto eleitoral que ele porventura tenha, abrindo caminho largo para a retomada do poder.
As atuais oposições goianas estão sempre subestimando Marconi, sendo aí que se estrepam. Quando tudo faz crer que ele está liquidado, "morto politicamente", como se diz por aí, ele renasce das cinzas. É uma característica da personalidade dele não temer as dificuldades e nem se deixar abater pela adversidade. Diante de um quadro adverso, ele não se recolhe em auto-comiseração; antes, sai da defesa para o ataque, busca retomar a iniciativa política. É o boi que devora as piranhas. Também tem por sua reputação um zelo que ráia a obsessão. Em defesa dela, enfrenta qualquer um, briga furiosamente. Os que acompanham atentamente os fatos da política regional já terão observado essas coisas muitas vezes.
Fácil entender porque, antes mesmo de ser convocado, Marconi se ofereceu espontaneamente para depor à CPMI, passando à opinião pública a forte impressão de que nada deve, pois nada tem a temer. Foi ver o diabo de perto. E viu que nem era feio. Chegou confiante, não vacilou, não tremeu, não gaguejou. Protagonizou o espetáculo. Desarmou a bomba. Antes da Procuradoria Geral da República abrir inquérito, o próprio Marconi pediu para ser investigado pelo Ministério Público Federal. Autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal referentes à sua pessoa. Ele não tem absolutamente nada a esconder. Ele quer total transparência.
Com essa disposição de ânimo, ele acaba desconcertando os adversários, esvaziando suas ações, fundindo a cuca dos críticos. De resto, o risco dessas devassas como objetivo de incriminar adversários é o tiro sair pela culatra. O resultado de todo esse assanhamento, que já pode ser antecipado com total segurança, é que, se houver por parte da CPMI um pingo de isenção, no final ela não terá alternativa senão passar atestado de idoneidade ao governador goiano. A chanchada vai dar em nada.
A audácia política de Marconi deixa seus opositores em situação constrangedora. Será que Iris Rezende, Antônio Gomide, Vanderlan Cardoso, Adib Elias, Maguito Vilela e Paulo Garcia – cujas administrações têm contratos com a Delta, teriam a mesma coragem do governador? Cadê a valentia? Abrirão espontaneamente as portas ou vão esperar que sejam arrombadas? Se nada têm a temer, nada justifica não terem ainda se apresentado à CPMI do Cachoeira. Ou será que aquele augusto soldalício só dá importância aos adversários do PT?
Helvécio Cardoso é jornalista e bacharel em Direito