Movimento na web tenta intimidar Gilmar Mendes

Encontro do ministro Gilmar Mendes, do STF, com o senador Demstenes Torres, em Berlim, j vem sendo usado como instrumento de intimidao pelos que pretendem ressuscitar a Satiagraha; no entanto, o deputado Miro Teixeira, que soltou a informao, j tira o corpo fora: No falei do Gilmar

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Movimento na web tenta intimidar Gilmar Mendes (Foto: Edição/247)


247 – Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Enquanto presidiu o STF, Gilmar criticou os métodos da PF e condenou o que chamou de “Estado Policial”. Na Operação Navalha, em 2008, essa ala da PF tentou atingi-lo ao vazar para a imprensa que um determinado Gilmar recebia presentes da construtora Gautama – não era Gilmar Mendes, mas sim um certo Gilmar Ferreira. Um ano depois, na Operação Satiagraha, o ministro do STF comprou uma briga definitiva com essa turma, ao conceder dois habeas corpus consecutivos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Gilmar também condenou o que chamou de “consórcio” formado entre o delegado Protógenes Queiroz, o procurador Rodrigo de Grandis e o juiz Fausto de Sanctis, que estiveram à frente da Satiagraha. E o golpe definitivo na operação foi a divulgação de um suposto grampo, pela revista Veja, entre o senador Demóstenes Torres e o ministro Gilmar Mendes, que acabou derrubando o então presidente da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Lacerda.

Desde então, Gilmar Mendes está entalado na garganta de muita gente. Seus críticos, que há tempos martelam a tese do “grampo sem áudio”, o culpam pelo fim da Satiagraha e pela queda de Paulo Lacerda. Seus defensores o aplaudem pelo que consideram a coragem de ter enfrentado forças poderosas. Com a queda de Demóstenes Torres, Gilmar Mendes voltou a estar na linha de tiro. E a senha foi uma nota publicada pelo jornalista Tales Faria, no Poder Online, do iG, nos seguintes termos:

Demóstenes, Cachoeira e o encontro com "um juiz muito importante" em Berlim

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) prevê que surgirão novas revelações, caso a defesa de Demóstenes Torres insista em anular, no Supremo Tribunal Federal, as provas do envolvimento do senador com o bicheiro Carlinhos Cachoeira já obtidas pela Polícia Federal :

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– O que Demóstenes precisa é revelar, antes que uma CPI o faça, os nomes de todos os que se aproveitaram da malha de poder e dinheiro do Cachoeira. Inclusive contar detalhes daquela viagem que ele e Cachoeira fizeram à Alemanha, na qual esteve presente um juiz muito importante do Brasil.

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De forma coordenada, os jornalistas que se mostraram mais engajados durante a Operação Satiagraha, passaram a badalar a notícia. Bob Fernandes, do Terra Magazine, que chegou a publicar uma entrevista fictícia com Daniel Dantas, enquanto esteve preso, fez um comentário sobre na televisão sobre como Demóstenes e Gilmar arruinaram a carreira de Paulo Lacerda. Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif também têm relembrado, com frequência, que a história do “grampo sem áudio”, não pode ser esquecida.

E o fato concreto é que nenhum dos jornalistas citados, até agora, deu o nome do “juiz muito importante” com quem Demóstenes Torres se encontrou em Berlim – como se isso fosse necessário.

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Pois o juiz com quem Demóstenes se encontrou em Berlim foi Gilmar Mendes, que estava na Europa quando o senador lhe procurou. Demóstenes viajou com a esposa que havia se formado em direito. Carlos Cachoeira não participou do encontro. Indagado por um jornalista sobre o encontro, dias atrás, o ministro do STF perdeu a paciência – o jornal para o qual o mesmo repórter trabalha não publicou a informação.

Já o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), que deixou a suspeita no ar, já tira o corpo fora. “Nunca disse que era o Gilmar Mendes”, disse ele. Ao receber a confirmação de que o encontro em Berlim realmente aconteceu, Miro Teixeira minimizou a questão. “Isso não tem nada demais”, disse ele ao 247. “Naquele momento, o Demóstenes era uma outra pessoa”.

Satiagraha, a volta

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Seja como for, a declaração do deputado tem sido usada por um grupo de viúvas da Satiagraha. A operação, invalidada pelo STJ em razão do uso ilegal de escutas telefônicas, poderá ser ressuscitada no Supremo Tribunal Federal em breve. E colocar em suspeição o ministro Gilmar Mendes é um movimento importante nessa direção.

O pano de fundo da Satiagraha foi uma disputa entre dois grupos pelo comando das telecomunicações no Brasil: o dos fundos de pensão estatais, liderado pelo ex-ministro Luiz Gushiken, e o dos doadores de campanha de Lula, que comandavam e ainda comandam a Oi. O que estava em jogo era a formação da supertele nacional, fruto da fusão entre Brasil Telecom, que pertencera a Dantas, e a Oi. Na disputa, arbitrada por Lula e pela então superministra Dilma Rousseff, os fundos de pensão foram derrotados – e a Satiagraha, cujos grampos foram realizados na época da criação da supertele, poderia melar o jogo.

Investigador e investigado ao mesmo tempo, Protógenes Queiroz se tornou réu por fraude processual, ou seja, por ser suspeito de ter fabricado provas, e será julgado no STF pelo próprio Gilmar Mendes.

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Curiosamente, a Operação Monte Carlo também prendeu o sargento Idalberto Martins, o Dadá, que participou ativamente da Satiagraha e chegou a registrar uma empresa de inteligência com o mesmo nome, alguns anos depois. Protógenes recolheu assinaturas para a CPI sobre as atividades de Carlos Cachoeira, mas também recebeu recados ameaçadores, dando conta de que o mesmo poderia contar tudo sobre o que realmente se passou na Satiagraha.

Gilmar está na mira dos que querem retomar a operação. Curiosamente, uma expressão que serve para designar membros do Judiciário corajosos alude à Alemanha nazista.

“Ainda há juízes em Berlim...”

Sim, Gilmar Mendes esteve em Berlim e se encontrou com Demóstenes Torres.

 

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