Na CPI do Vale Tudo, PMDB é o moderador

Entre incendirios e bombeiros, partido ocupa o centro para ser fator de equilbrio na CPI do Cachoeira; para tanto, uma das cinco vagas no Senado j foi cedida, seus lderes mais famosos ficaro de fora e novatos assumiro a frente da cena; preciso muita sobriedade, diz o vice-presidente Michel Temer

Na CPI do Vale Tudo, PMDB é o moderador
Na CPI do Vale Tudo, PMDB é o moderador (Foto: Fábio Berriel/Folhapress)
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Marco Damiani_247 – O PMDB não quer fazer da CPI do Cachoeira um picadeiro de atrações espetaculares para platéias de todas as classes. As cenas midiáticas de outros tempos, quando até prisões de depoentes, ao vivo, foram transmitidas a todo o País pela TV Câmara, não constam, agora, do pré-roteiro alinhavado pelos maiorais do partido. Preocupações com a governabilidade e a manutenção das condições políticas para o crescimento econômico falam mais alto ao partido, neste momento, do que desejos de desforras e brilho fácil.

“O governo, como convém, deixou por conta do Congresso Nacional, e a única coisa que esperamos é muita sobriedade na condução da CPI", afirmou em São Paulo, durante o final de semana, o vice-presidente Michel Temer. A frase veio de sua posição institucional, mas também refletiu sua condição de comandante partidário. Com a ênfase na ‘sobriedade’, Temer advoga e adianta a postura centrista do partido na CPI. O PMDB não deverá ecoar a histeria da ala esquerda da própria comissão, a ser representada por integrantes do PSOL, nem sustentar a linha de fogo que vai sendo preparada pelo DEM para tirar o foco das investigações sobre a ligação umbilical entre Carlinhos Cachoeira e ex-prócer partidário Demóstenes Torres.

Na reta traçada por Temer, os principais líderes do PMDB já optam por ficar longe da boca da cena da CPI, guardando para si posições nos bastidores enquanto novatos cumprirão, dentro da comissão, os papéis de grande visibilidade.

O primeiro sinal dessa disposição para a moderação, em lugar da alternativa de botar para quebrar, foi dada duas semanas atrás, quando a CPI já era dada como certa, mas ainda carecia das assinaturas necessárias para a sua instalação. Naquele momento, o presidente do Senado, José Sarney, e o líder do partido na casa, Renan Calheiros, convenceram o senador Vital do Rêgo a aceitar a presidência da comissão. Ungiu-se, ali, um integrante do baixo clero partidário para a função. Vitalzinho, como é conhecido por seus pares, ainda demonstrou relutância em aceitar a missão, mas topou. Não há muitas apostas, porém, de que ele será uma revelação como chefe de investigações parlamentares.

A estratégia do PMDB de atuar para que a CPI, nos 180 dias em que está destinada a durar, a partir de sua instalação nesta terça-feira 24, não se torne um repositário de denúncias de A a Z, sem foco e com desdobramentos em múltiplas direções, vai se completando agora. Na véspera da entrega dos nomes para a composição da comissão, que terá quinze senadores e quinze deputados federais, já se sabe que as estrelas do partido no Senado ficarão de fora. O líder Renan Calheiros, que, em tese, poderia escalar-se para ter uma desforra pessoal com seu antigo algoz Demóstenes Torres, avisou que não almeja essa tribuna. “Líder pode falar a qualquer hora. Não serei da CPI. Nunca quis ir para a CPI”, diz Renan.

O ex-líder do governo Romero Jucá, outro que poderia usar a CPI para acertar contas pessoais com o governo, em razão da abrupta demissão sofrida em pleno exercício do cargo, diretamente pela presidente Dilma Rousseff, igualmente disse ‘não, obrigado’. Ele alegou estar muito atarefado como integrante da Comissão de Orçamento.

Presidente do Senado, José Sarney, em plena segunda-feira 23, já é candidato a autor da frase da semana. “Vai dar m...”, disse ele a interlocutores, adiantando o notório potencial explosivo da CPI. O complemento é a orientação para o partido agir muito mais na profilaxia das denúncias do que na propagação dos vírus inoculados.

Com o PT ainda confuso sobre sua postura na CPI, preocupado pelo fato de que uma razzia sobre a Delta Engenharia, cujas ligações com Carlinhos Cachoeira e seu esquema de tráfico de influência se insinuam, e o PSDB como principal alvo das investigações – o governador tucano Marconi Perillo só parece menos enrolado com Cachoeira do que o senador Demóstenes --, sobraria ao DEM o posto de atirador de elite. O problema é que o DEM tinha Demóstenes até dias atrás, o que torna a posição extremamente desconfortável. O que vai-se desenhado, na prática, é um processo de resfriamento de ânimos para que se feche, o quanto mais possível, o foco da CPI na dupla Cachoeira-Demóstenes. Ninguém sabe ao certo, no entanto, se, à luz das oito mil páginas de apurações da Operação Monte Carlo, essa estratégia vai dar resultado.

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