“Não ficarei na Prefeitura quatro anos. Ficarei oito!”

Ao 247, em entrevista exclusiva, Celso Russomano promete não fazer como tucano José Serra, que se elegeu prefeito e deixou o cargo menos de dois anos depois; com propostas como dotar a cidade de ônibus com ar condicionado, criar fiscais dos bairros e o desejo de ver "uma igreja em cada quarteirão", candidato do PRB lidera e ainda não sabe o que é cair nas pesquisas

“Não ficarei na Prefeitura quatro anos. Ficarei oito!”
“Não ficarei na Prefeitura quatro anos. Ficarei oito!” (Foto: Luiz Carlos Muauskas/Folhapress)

Marco Damiani _247 – O sr. se vê como a grande zebra desta eleição?

Diante da primeira pergunta de 247, o candidato do PRB a prefeito de São Paulo, Celso Russomano, dois quilos mais magro por suas andanças de campanha e com a mulher Lovani, grávida de 8 meses, ao seu lado, esboça um sorriso irônico. E responde na lata:

"Pode me chamar do que você quiser. Já disseram que sou cavalo paraguaio, que sou como uma nota de três reais, que vou morrer na praia e, agora, como é mesmo?, que vou desidratar, mas a verdade é que vou ganhar essa eleição e calar a boca dos críticos que não entendem de São Paulo e do povo paulistano".

Afiado, não dá para dizer que esse ex-deputado federal de quatro mandatos, famoso pela frase "se está bom para ambas as partes...", dita nas primeiras de suas milhares de aparições em televisão como defensor dos direitos do consumidor não está. Melhor seria dizer, para usar uma expressão adolescente, que ele está 'se achando'. E está mesmo.

Russomano, nota-se facilmente, é o mais feliz dos candidatos a prefeito. Além de mais magro, está mais solto, saboreando o primeiro lugar nas duas mais importantes pesquisas de opinião, o Datafolha e o Ibope. Uma posição que lhe traz dividendos concretos: na inauguração de seu comitê central de campanha, no início da semana, no centro da cidade, juntaram-se mais de 50 veículos adesivados com sua propaganda, prontos para percorrer a cidade em seu nome. Alô, adversários: a estrutura logística que Russomano nunca teve, agora tem.

247 - Nas suas projeções, o sr. esperava ter um resultado desses agora: 31% no Datafolha a seu favor contra 27% para José Serra e 8% para Fernando Haddad?

Celso Russomano - Eu não esperava nada. Não tinha projeção nenhuma. Acho que ninguém poderia advinhar o que está acontecendo. É uma surpresa boa, que estou aproveitando. Vou ganhar a eleição.

- Se ganhar, o sr. vai prometer ficar os quatro anos no cargo ou pode mudar de idéia?

- Não vou ser prefeito apenas por quatro anos. Vou ficar oito anos na Prefeitura de São Paulo. Vou ganhar esse mandato e o próximo. Sem dúvida, essa é uma promessa, é tudo o que eu quero.

- Essa é uma crítica ao seu adversário José Serra, do PSDB, que ficou menos de dois anos no cargo?

- Não, é uma resposta à sua pergunta. Eu não faço ataques pessoais. Meu papel é apresentar propostas, oferecer soluções. Eu quero discutir e tratar dos problemas de São Paulo. Estou fazendo isso agora e vou continuar fazendo pelos próximos oito anos, como prefeito eleito duas vezes.

- O sr. é bastante otimista.

- A receptividade que tenho sentido do povo me dá motivos para tanto. Eu sou a voz do povo.

- Muitos acreditam que seu crescimento se apóia nas igrejas pentecostais, que controlariam, hoje,  cerca de 35% do eleitorado paulistano. Essa avaliação faz sentido para o sr.?

- Não, e nem acho que alguém ou alguma instituição tenha todo esse poder. Meu crescimento se dá pela aceitação das minhas propostas, e isso em todas as classes sociais, em toda a cidade. É o que tenho percebido.

- A questão da segurança é uma das mais agudas deste momento. Qual é a sua proposta?

- Tenho estudado muito esse assunto. Minha certeza absoluta é que a solução para a questão da segurança passa por três pilares: prevenção, religião e, só depois, repressão pesada.

- Religião?

- Claro, vi nos Estados Unidos a religião ajudando em muito o combate ao consumo de drogas, aos roubos, aos assassinatos. A religião educa. E o povo é temente a Deus. A religiosidade será muito importante para disseminarmos uma cultura de paz pela cidade.

- O sr. falou na sabatina da Folha em desejar ver uma igreja em cada quarteirão...

- Exatamente por isso. A igreja tira o povo da rua, ensina a palavra de Deus, bons costumes, promove o cidadão. Eu manifestei uma vontade, não é que é isso que vai acontecer, claro.

- E sua tradicional bandeira da defesa do consumidor? Como o sr. vai praticar essa face da sua candidatura?

- Tenho andado por todos os bairros e ouvido as queixas da população. Os serviços públicos estão em primeiro lugar nas reclamações. Vou começar por melhorá-los, mas isso será feito com o apoio, com a ajuda integral da própria população.

- Como?

- Vou criar a figura do fiscal de quarteirão.

- Tal qual o fiscal do Sarney, no tempo do plano Cruzado?

- Mais ou menos isso, mas com objetivos bastante determinados. Hoje, o cidadão não sabe porque é aberto um buraco na frente da casa dele. Não sabe se foi a Sabesp, se foi a Telefonica, se foi a Eletropaulo. Comigo na Prefeitura, vamos desburocratizar o acesso à informação, e todos poderão saber o que estará sendo feito no espaço público. Isso, exatamente, para fazermos as reclamações fluírem mais e melhor. Eu aposto que no quinto processo judicial que um presidente de uma companhia dessas levar porque mandou fazer uma obra imprópria, ele vai se enquadrar e parar de fazer. Vamos arrumar São Paulo assim.

- E os fiscais?

- Eles serão os encarregados de zelar por seus bairros, por suas ruas, por seu quarteirão. Ninguém melhor do que o povo de um lugar para saber o que está acontecendo ali.

- Saúde?

- Vou botar para funcionar o programa de saúde da família, que está parado. Vamos promover mais a prevenção das doenças. Sai mais barato para o poder público e é muito melhor para a população.

- Transporte?

- Quero ver ônibus com ar condicionado circulando pela cidade. Também teremos muito mais coletivos com a entrada rebaixada, para facilitar o acesso dos deficientes físicos. Vou ampliar os corredores de ônibus. O metrô vai crescer.

- O sr., como já dizem, é populista?

- De jeito nenhum. Minhas propostas são concretas, objetivas, factíveis. Eu sei, melhor do que todos os outros, o que a população necessita. Eu sou aquele que dá voz ao povo que não tem voz, que usa o microfone para falar o que eles gostariam de falar. Esse é o motivo do sucesso da minha candidatura, não tem nada a ver com populismo.

- Na sabatina da Folha foram lembradas denúncias de existência de uma conta corrente em seu nome no exterior e suas antigas ligações com o ex-governador Paulo Maluf.

- Como eu disse, estou processando civil e criminalmente o jornalista que contou essa mentira da conta. Isso não existe. Se acharem, eu desisto da minha candidatura na mesma hora. E Maluf não é meu padrinho político. Eu cresci em razão das minhas propostas de defesa da cidadania. Estas sim foram e estão sendo reconhecidas. Vou ganhar!

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