Novas e velhas denúncias ameaçam Renan no Senado

Na última semana, Folha e "O Globo" resgataram irregularidades que envolvem o favorito à presidência ao Senado e seu filho; em manifesto, independentes da Casa comparam a volta do líder do PMDB à presidência à escolha feita pelos antigos “Coronéis do Interior” na época da Primeira República (1889-1930); em 2007, Renan se afastou do cargo após denúncias de que usava empresa para pagar a pensão alimentícia à mãe de uma filha fora do casamento

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247 – Nos últimos três dias, são recorrentes as matérias na Folha e no Globo sobre irregularidades que envolvem o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e seu filho, o deputado federal Renan Filho (PMDB-AL). Renan é favorito para assumir a Presidência do Senado no próximo mês, cargo que, em 2007, teve que se afastar após denúncias de que uma empresa pagava a pensão alimentícia à mãe de uma filha fora do casamento.

No jornal "O Globo" de hoje, Renan Filho diz ser sócio de uma rádio que, oficialmente, nos registros do Ministério das Comunicações, nunca o teve como cotista e está em nome de um funcionário do gabinete de seu pai, Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta. Em 2007, no auge da crise no Senado, quando corria o risco de perder o mandato, o senador veio a público negar que utilizasse laranjas para esconder uma suposta sociedade em rádios em Alagoas. 

Já a Folha questiona a apresentação pelo senador de uma nota fiscal por serviço que empresa nega ter feito. Renan teria pedido restituição de R$ 10 mil, mas dono de produtora diz que só atuou em campanha. A nota entregue por Renan é atribuída à Ovni Áudio e Video Produções. Ela tem como sócios o diretor da rádio Gazeta de Alagoas, Gilberto Lima, e o filho dele, Gilberto Júnior. A emissora é do senador Fernando Collor (PTB-AL).

No início da semana, dois inquéritos contra pai e filho foram resgatados. No primeiro, a Procuradoria-Geral da República também encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para investigar Renan por crime contra o meio ambiente e o patrimônio genético em uma unidade de conservação em Alagoas.

No outro, para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a subprocuradora Cláudia Sampaio, há indícios de que o deputado federal participou de um desvio de verbas para a merenda escolar da Prefeitura de Murici (AL).

A pressão contra o senador aumentou com o início de uma campanha no Senado. Senadores independentes divulgaram ontem um manifesto em que compara a volta do líder do PMDB à presidência da Casa à escolha feita pelos antigos “Coronéis do Interior” na época da Primeira República (1889-1930). “Voltaremos (do recesso parlamentar) apenas para ratificar o nome, nomeado sem apresentar qualquer proposta que mude o nosso funcionamento. Votaremos como os eleitores que iam às urnas na Primeira República, levando a cédula sem conhecer o nome do candidato escrito nela pelos antigos Coronéis de Interior”, afirma.

O documento, intitulado “Uma nova presidência e um novo rumo para o Senado”, é uma plataforma de propostas de modificação no funcionamento administrativo e legislativo da Casa, abalada nos últimos anos por sucessivas crises, como a saída de Renan, em 2007, da presidência, após ser absolvido de dois processos de cassação em plenário, e os atos secretos, revelados em 2009, que quase derrubaram o atual presidente José Sarney (PMDB-AP).

Mesmo com remotas chances de impedir a eleição de Renan, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) - que participou da elaboração do texto - vai entrar na disputa, marcada para o dia 1º de fevereiro. “A crítica está aí, mas se a carapuça servir? Eu acho que ele (Renan Calheiros) tem responsabilidades com o maior partido do Congresso, que deve presidir a Câmara e o Senado, partido do qual ele é líder”, afirmou Randolfe.

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