O 1º de Maio já não é mais (só) da esquerda

Beatificação de João Paulo II e morte de Bin Laden abrem a data para a Igreja e os EUA

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Golaço do Para Bento 16, que sem dúvida, para consumar seu ato do domingo 1, agiu com a cabeça do ardiloso Joseph Ratzinger – ele próprio, antes de tornar-se Sumo Pontífice. Não poderia haver, afinal, data melhor para os interesses da Igreja do que a beatificação do anticomunista João Paulo II no mesmo dia em que todas as esquerdas do mundo se unem em torno dos tradicionais atos de protestos de 1º de Maio – feriado em grande parte do mundo ocidental desenvolvido. Marcado na história como o dia de uma ampla greve geral em Chicago, em 1886, por melhores condições de trabalho e redução de jornada, brutalmente reprimida, o 1º de Maio passa a ser, a partir deste ano, também uma data de festa para os católicos. É o momento em que o papa mais popular e midiático da história foi canonizado, apenas seis anos depois de morrer. Já a partir deste ano, enquanto os esquerdistas que João Paulo derrotou faziam suas passeatas pela Europa, os católicos realizavam vigílias no Vaticano. Essas concentrações da Igreja em torno do mítico João Paulo II tendem a se espraiar nos próximos anos, o que vai criar um contraponto global em relação aos tradicionais atos de 1º de Maio.

Mas também para os Estados Unidos, em especial, o 1º de Maio ganhou um novo significado. Mais do que a lembrança das greves reprimidas de Chicago, ele passa a ser o dia em que o país vingou-se de seu inimigo público número 1, o terrorista Osama Bin Laden. Doravante, os americanos também poderão sair as ruas, felizes, para dizer que, naquela data, eles têm o cadáver de um assassino para exibir.

Como se vê, nas vinte e quatro horas do 1º de Maio de 2011, o caráter do 1º de Maio que fica na história ganhou novos significados, quebrando o monopólio que dele tinha a esquerda.

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