O Brasil tem chefe

É claro, como há muito não se via em Brasília, que existe uma autoridade no Palácio. E que fala grosso

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O Brasil hoje tem chefe – e isso não é tão comum assim. Pelas atitudes dentro e fora do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff vai consolidando a imagem de mulher que decide, assume, chama o jogo para si. Foi o que ela demonstrou no episódio da birra que ia surgindo entre os ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, em pleno quarto andar da nave de comando presidencial, onde fica o gabinete dela. No passado, diferenças entre ministros que começaram com trocas de farpas foram se adensando com o tempo, acarretando desgaste e ampliação da divergência.

No início do primeiro de seus dois mandatos, em 1995, Fernando Henrique aceitou conviver com o então ministro do Planejamento, José Serra, lançando petardos, aqui e ali, sempre em “off”, como lhe convinha e convém, na direção de seu colega Pedro Malan. Este mostrou-se intocável e permaneceu os oito anos de FH na Fazenda, tornado-se o mais longevo titular da pasta em todos os tempos. Até, porém, o presidente resolver arbitrar a disputa, convidando Serra a se retirar, já se havia ido quase doze meses de indecisão. Lula, que veio em seguida, adotaria, igualmente no primeiro de seus oito anos no Planalto, a mesma postura leniente de FH com Serra, mas desta feita em relação ao então presidente do BNDES, Carlos Lessa. Em total dissintonia com os à época ministros Palocci, da Fazenda, e Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Lessa durou mais de dez meses no cargo, apesar de ele próprio ter contabilizado 70 notas de imprensa que davam como certa a sua demissão. Lula mandava recados, mas demorou a enfrentar frontalmente a situação. 

Agora, com Dilma, as diferenças entre ministros estão sendo dirimidas de maneira diferente, e não mais ao natural. Ela gosta da via do enquadramento político, olho no olho. Há muito não se tinha registro deste estilo na Presidência. Em Geisel (1974-1979) sim, mas jamais em Figueiredo (1979-1985), não era o estilo de Tancredo, que não assumiu, nunquinha em Sarney (1985-1990), falsamente em Collor (1990-1992) e, ok, vez ou outra com o mercurial Itamar (1992-1994). Pouco, não acham?

Pode parecer fácil chamar dois ministros da experiência e traquejo de Antônio Palocci e Guido Mantega para dar uma reprimenda, como se fossem meninos. Afinal, quem tem a faixa é ela. Mas para a maioria dos antecessores, como se apontou, isso não foi suficiente. Palocci faz política a quase 40 anos, desde seus tempos de Libelu. Mantega tem as costas aquecidas pelo antecessor Lula. Ambos sabem os custos políticos e econômicos que uma demissão acarretaria e, por isso mesmo, podem até se sentir ‘imexíveis’, como diria Rogério Magri, imutáveis. Mas Dilma mostrou-lhes que não é bem assim. “Ou eles vivem juntos, ou morrem juntos”, disse uma fonte palaciana para a jornalista Cláudia Safatle, do Valor Econômico. A presidente sentou-se frente a frente com eles, manifestou seu desagrado pelas briguinhas em reuniões de trabalho, e ainda adiantou que iria prestigiar Mantega com um almoço em Palácio e, no dia seguinte, com a primeira audiência matinal. Palocci se acanhou. A presidente é quem manda.

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