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“O grande desafio é assegurar o direito do negro à vida”

Em entrevista ao 247, a ministra da Secretaria de Polticas de Promoo da Igualdade Racial, Luiza Bairros, diz que aspecto mais profundo do racismo a desumanizao do negro; leia na ntegra

“O grande desafio é assegurar o direito do negro à vida” (Foto: Elói Corrêa/AGECOM)
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Por Rebeca Bastos_Bahia247

Uma gaúcha 'retada' que gosta de dendê e que não foge de uma boa luta, esta é Luiza Helena Bairros, que por conta da sua militância e ativismo na causa negra conquistou o respeito, admiração dos seus pares e a missão de chefiar a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que tem status de Ministério no governo Dilma Rousseff. Sob sua responsabilidade está o desafio de garantir conquistas e direitos para a população negra do país, que é de 56,8% - de acordo com o Mapa da População Preta e Parda no Brasil.

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Reconhecida como uma das principais lideranças do movimento negro no Brasil, Luiza começou sua luta na década de 1970, quando veio para Salvador atraída pelas propostas do Movimento Negro Unificado (MNU), que presidiu na década de 1990. Administradora de empresas por formação, ela resolveu fazer mestrado e doutorado em sociologia para poder entender melhor como as práticas do racismo se desenvolvem na sociedade.

Reconhecida

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A dedicação e o conhecimento de causa lhe renderam a titularidade da Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (Sepromi), que tratava de políticas para mulheres e de igualdade racial, onde esteve de 2008 até 2011, quando em janeiro, seguiu para a Seppir.

Neste domingo, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o Bahia 247 reservou para os leitores uma entrevista com a ministra, que esteve em Salvador na última semana para participar do Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes - Afro XXI, e de quebra ainda recebeu a medalha Zumbi dos Palmares, homenagem da Câmara Municipal.

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Já pensou em desistir?

Convicta do seu papel, Luiza afirma que não dá para pensar em desistir quando se entende como o racismo funciona, quando se estuda e se observa as novas estratégias de discriminação. Aí, não dá para parar. "Quando eu percebi toda a luta política que há por trás de cada conquista para a população negra não tem como se afastar. Todo militante percebe que todas as pessoas negras só vão conseguir ter uma vida pessoal, profissional e cidadã plena, no momento em que o racismo acabar. Por isso tudo, não dá para pensar em desistir, mesmo enfrentando todas as dificuldades da militância. É um caminho sem volta", ressaltou a ministra.

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O contexto

Em janeiro, Luiza Bairros assumiu a Seppir, e em seu discurso de posse comprometeu-se com a ampliação da estrutura dos programas que permitem a melhora da qualidade de vida dos negros, bem como o cumprimento da legislação específica, a exemplo do Estatuto da Igualdade Racial, em vigor desde 20 de outubro de 2010. No entanto, ela sabe que o caminho é longo: "Agora temos uma gama de dados sólidos sobre o recorte de raça no país, e por isso temos a certeza que o combate às desigualdades raciais é o núcleo duro do combate às desigualdades. Porém, ainda não conseguimos fôlego para fazer com que estes dados sejam norteadores das políticas públicas do Estado, quando isto acontecer, o Brasil vai passar por mudanças significativas", estimou.

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Avanços

Uma de suas esperanças é o programa Brasil sem miséria, carro chefe do governo Dilma, que pretende tirar da extrema pobreza 16 milhões de pessoas, a maior parte delas, negras. Entretanto, nem tudo é tristeza, Luiza também sabe que nos últimos anos conquistas importantes como a adoção de cotas em universidades e as discussões em torno da presença do negro em espaços de poder e da mídia têm rendido frutos: "Hoje nós fazemos enfrentamento ao racismo em um ambiente social e cultural diferente, que é fruto da nossa própria luta", refletiu.

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Triste Bahia?

Embora tenha uma cultura fortemente ligada aos negros, o estado da Bahia ainda sofre com diversos problemas quando o assunto é desigualdade racial: por aqui, os negros são a maioria na fila dos desempregados, na mortalidade infantil; na taxa de homicídio e de analfabetismo.

Por isso, a ministra prevê que os desafios para o estado sejam enormes. Eles foram expostos pelos últimos dados do censo do IBGE, referente ao recorte de raça e gênero do país. "Os racistas tentam conter a população negra para explicar o fato de sermos maioria, mas não estarmos representados da mesma forma nos espaços econômicos", na opinião de Luiza o momento é propício para mudanças de mentalidades.

Há muito a ser feito

A ministra diz que enquanto houver espaço para protestos indignados, legítimos e verdadeiros [em referência a um estudante que subiu ao palco do Afro XXI e bradou sua indignação contra a taxa de homicídios dos jovens negros na capital baiana] significa que o coração do problema não foi atingido e que ainda há muito trabalho a ser feito.

"O nosso grande desafio é básico: assegurar o direito do negro à vida. E este é o aspecto mais profundo do racismo, que é a desumanização da pessoa negra. Pois, se para o racista, nós não somos humanos, então matar uma pessoa negra se torna banal, é algo fácil e pode ser feito sem nenhum tipo de reprimenda da sociedade. Então, tudo o que a gente fizer, neste momento ainda é pouco", assegurou convicta.

Racismo x igualdade racial

Para quem pensa que lutar contra o racismo e a favor da igualdade racial é a mesma coisa, se engana. Luiza esclarece que os dois interesses são diferentes, e às vezes até conflitantes. Ela explica que ao longo dos anos, os movimentos sociais desenvolveram um conhecimento legítimo acerca da história e sociologia da presença negra no país. Com isso, criaram uma linguagem e um vocabulário próprio que remete ao termo 'combate ao racismo'. Em contrapartida, o Estado também chegou à sua linguagem que remete a 'promoção da igualdade racial'. "É possível viver em um país com igualdade racial e com presença de racismo ao mesmo tempo", esclarece.

Afro XXI

Ovacionada durante a sua fala na abertura do Afro XXI, Luiza frisou que o encontro não é apenas um ato de diplomacia, pois os representantes dos países não estão aqui apenas para constar, mas para traças estratégias e metas para o futuro, no que se refere às políticas públicas para as populações negras e minorias étnicas. "No momento em que estão aqui, eles estão assinando compromisso que podem ser cobrados depois", sinalizou.

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