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O laboratório do PT em Recife

As prévias na capital pernambucana racharam o partido e podem sinalizar problemas para 2014, na disputa presidencial

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Era uma vez um líder político extremamente carismático, que terminou dois mandatos com recordes de aprovação e escolheu uma pessoa de perfil técnico para sucedê-lo. Poderia ser essa a história de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, mas os personagens em questão são o ex-prefeito de Recife, João Paulo, e seu sucessor, João da Costa.

Assim como Lula, João Paulo teve grande dificuldade para “desencarnar” do poder. Julgando-se responsável direto pela eleição do sucessor, o hoje deputado federal reivindicou a chance de disputar um novo mandato em 2012, tirando do atual prefeito o direito à reeleição. Com a briga entre os dois “Joões” do Recife, o PT se dividiu e realizou prévias neste domingo. João Paulo não foi candidato, mas apoiou Maurício Rands, que disputou a indicação do partido contra sua “cria”.

João da Costa venceu por margem pequena de votos, mas o PT, que deveria se unir após um processo democrático, rachou completamente na capital pernambucana. O lado derrotado já não admite, em hipótese alguma, apoiar o vencedor. E a briga interna ameaça até implodir a frente ampla de esquerda, que inclui ainda o PSB, de Eduardo Campos.

Aparentemente, essa é uma questão apenas local, sem maior repercussão nacional. Mas o fato é que, ao sabotar o direito à reeleição de um prefeito em pleno exercício do cargo, o PT criou um precedente perigoso. Hoje, quem olha friamente para 2014, enxerga apenas duas possibilidades de poder: Dilma Rousseff ou Lula. Qualquer um dos dois, no quadro atual, derrotaria qualquer candidato da oposição com extrema facilidade.

Ao que tudo indica, Dilma, com mais de 70% de aprovação pessoal, será a candidata. Mas há, no sistema político, especialmente entre os partidos aliados, certo saudosismo em relação a Lula. E não custa lembrar que, na Rússia, o “criador” Vladimir Putin não permitiu que sua “cria” Dimitri Medvedev disputasse a reeleição. Se Recife foi um laboratório ou não de 2014, só o tempo dirá.