Oposição acompanha julgamento do mensalão em telão

Por falta de lugares no STF, parlamentares de PPS, DEM e PSDB assistiram ao início do julgamento da Ação 470 em sala da Secretaria-Geral da Câmara; eles protestaram contra o tratamento dispensado ao caso do mensalão pelo Jornal da Câmara, que ignorou discursos sobre o assunto

Oposição acompanha julgamento do mensalão em telão
Oposição acompanha julgamento do mensalão em telão (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

247 - Parlamentares dos partidos de oposição (PPS, DEM e PSDB) assistiram ao início do julgamento do mensalão numa sala da Secretaria-Geral da Câmara dos Deputados, onde foi instalado um telão. A decisão de se unir diante de um telão para acompanhar a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) foi decorrência da falta de espaço no plenário da Corte Suprema.

Nesta quinta-feira 2, os parlamentares da oposição também protestaram contra o tratamento dado pelo Jornal da Câmara ao julgamento do mensalão. O PPS registrou que, na tarde da quarta-feira 1º, 11 parlamentares do governo e da oposição se revezaram na tribuna para debater o caso, mas o Jornal da Câmara "ignorou solenemente os pronunciamentos".  

Confira o protesto do PPS contra o Jornal da Câmara: 

“O PT começou a testar o controle social da mídia no Jornal da Câmara. Isso é um verdadeiro absurdo”. O alerta foi feito nesta quinta-feira pelo líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), após verificar que o veículo oficial da Casa não publicou na edição de hoje uma linha sequer sobre o julgamento do mensalão. 

Na tarde de quarta-feira, 11 parlamentares do governo e da oposição se revezaram na tribuna para debater o caso (veja abaixo). Mas o Jornal da Câmara ignorou solenemente os pronunciamentos. Já no outro lado do Congresso, o Jornal do Senado trouxe, em chamada de capa, com foto, o debate que se travou no plenário sobre o assunto.

O episódio, que segundo Rubens Bueno deve servir como “case” para os estudiosos da mídia, acontece após o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT-RS), ter afirmado para a imprensa que não permitiria que se instalasse dentro do Parlamento uma disputa em torno do julgamento. "Não vamos permitir que se efetive dentro do Parlamento uma disputa de quem é a favor do julgamento de A, B ou C ou de coisas que instiguem esse debate político", declarou Marco Maia em matéria publicada pela Folha de S. Paulo no dia 22 de julho.

“O Jornal da Câmara deve ser o único veículo de comunicação do Brasil que ignorou o julgamento do mensalão. Isso é ridículo, mas também preocupante. Dá a impressão que o PT resolveu começar o controle social da mídia pela Casa do Parlamento que comanda”, criticou Rubens Bueno.

O deputado ainda chamou a atenção para o fato de a censura ter atingido até os deputados do PT. O líder da sigla, Jilmar Tatto (PT-SP), foi um dos que ocupou a tribuna para defender seus colegas “mensaleiros”. 

“Se censuram os próprios deputados, imagina o que não vão fazer se conseguirem aprovar no Congresso o controle social da mídia. Estamos atentos e não vamos permitir absurdos desse tipo”, garantiu o líder do PPS.

Atribuições do Jornal da Câmara

Cabe ressaltar ainda que a própria Secretaria de Comunicação da Câmara (Secom) afirma no site que Casa que cabe ao jornal divulgar os discursos feitos pelos deputados no Grande Expediente (espaço nobre de debates). É de se compreender que muitas vezes não há espaço para noticiar todos os assuntos. No entanto, no dia de ontem, de 63 discursos, 11, sendo quatro de líderes e um de presidente de partido, tratavam do mensalão. Ou seja: O assunto tomou conta do plenário.

Leia abaixo o que o site da Câmara fala sobre as funções do jornal Casa:

“O Jornal da Câmara noticia os debates e as votações de proposições realizados no Plenário Ulysses Guimarães, as audiências públicas, discussões e votações nas reuniões ordinárias das comissões permanentes; debates realizados por comissões especiais sobre relatórios de propostas ou outros assuntos de interesse da sociedade; reuniões das comissões parlamentares de inquérito; atos e decisões da Mesa Diretora, do Colégio de Líderes, do Conselho de Ética e demais órgãos legislativos da Casa; além de discursos feitos pelos deputados nos espaços regimentais do Pequeno Expediente e do Grande Expediente”. 

Deputados que subiram à tribuna para falar sobre o mensalão:

Onyx  Lorenzoni (DEM-RS)
Bruno Araújo (PSDB-PE) – Líder do PSDB
Jilmar Tatto (PT-SP) – Líder do PT
Rubens Bueno (PPS-PR) – Líder do PPS
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Chico Alencar (PSOL- RJ) – Líder do PSOL
Roberto Freire (PPS-SP) – Presidente do PPS
Octavio Leite (PSDB-RJ)
Fernando Ferro (PT-PE)
Sibá Machado (PT-AC)
Edinho Bez (PMDB-SC)

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