Oposição aposta em insatisfação na base para criar CPI

Magoados com tratamento diferente em relao a PMDB e PR, parlamentares da base j ensaiam troco presidente e prometem, nos bastidores,proteger todos os partidos da situao contra CPIs, menos o PT; Wagner Rossi convoca coletiva de imprensa

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Evam Sena_247, de Brasília - Acuado por denúncias de irregularidades no Ministério da Agricultura, o ministro Wagner Rossi tratou de marcar para a tarde desta segunda-feira, 8, uma coletiva de imprensa sem pauta específica. Na próxima quarta, ele vai ao Senado para dar explicações à Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. Na Câmara dos Deputados, cresce a pressão para que ele volte a falar aos deputados sobre as novas denúncias no ministério veiculadas no fim de semana.

O número dois de Rossi, o secretário-executivo, Milton Ortolan, pediu demissão depois que a revista “Veja” divulgou que um lobista supostamente despachava no ministério e distribuía propinas com a anuência de Ortolan. Novas denúncias de loteamento de cargos pelo PMDB e PTB atingiram a pasta, incluindo afilhados políticos de deputados e senadores.

Segundo a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto, Dilma acredita que Rossi está tomando as providências necessárias. "A presidente Dilma Rousseff reitera sua confiança no ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que está tomando todas as providências necessárias", afirmou, em nota. Dividida entre o risco político de uma “faxina” no Ministério da Agricultura e a intenção de não mostrar tolerância com desvios éticos, a presidente Dilma Rousseff divulgou nota em apoio ao ministro Wagner Rossi, mas mandou a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) cobrar dele uma “resposta a altura”.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), minimizou hoje as novas denúncias. “Eu acho que nenhum ministério está isento de investigação e, desde que encontrem os responsáveis, eles devem ser punidos. O ministro está tomando as providências que ela acha necessárias”, disse Sarney.

Nos bastidores, porém, a base governista no Congresso se mostra insatisfeita com o modo como Dilma tem lidado com as crises ministeriais e ameaçam rebelião. Parlamentares aliados dizem que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Transportes só não foi criada porque atingiria o PR.

"Não haverá CPI quando a denúncia atingir o PR, o PMDB, o PP ou o PTB. Mas quando alguma denúncia pegar eles (PT), uma CPI será criada sem dó nem piedade", avisou um deputado da base.

É com essa insatisfação entre governistas que conta a oposição. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR), continua na tentativa de recolher as 27 assinaturas de senadores necessárias para a criação da CPI. Senadores e deputados oposicionistas prometem obstruir as votações no Congresso e acionar o Ministério Público.

A oposição cobra da presidente uma "faxina" no Ministério da Agricultura, nos mesmos moldes da que foi feita nos Transportes. Para os oposicionistas, Dilma não pode proteger Rossi por ele ser do PMDB e afilhado do vice-presidente, Michel Temer.

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