Os primeiros clientes do consultor de R$ 20 milhões

Duas empresas confirmam a contratao de Palocci; uma delas, a WTorre fez negcios bilionrios com a Petrobras e fundos de penso estatais; outra, a Amil regulada pela Agncia Nacional de Sade

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247 – Complica-se, cada vez mais, a situação do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, que acumulou, ao mesmo tempo, as funções de deputado federal, consultor de empresas e coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Nesta sexta-feira, a Folha de S. Paulo revela os nomes dos dois primeiros clientes da consultoria Projeto, de Antonio Palocci. O primeiro caso é o da construtora WTorre, do empresário Walter Torre. A empresa confirma a contratação, mas limita-se a dizer que o fez para tratar de “assuntos corporativos”. A Projeto faturou R$ 20 milhões em 2010.

Em reportagem assinada pelos jornalistas Rubens Valente, Andreza Matais e José Ernesto Credendio, informa-se ainda que a WTorre fechou negócios de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras e com fundos de pensão estatais, como a Funcef e a Previ, nos últimos quatro anos. A construtora é responsável pela construção do estaleiro Rio Grande (RS), da Petrobras, e vendeu, no início do ano passado, um luxuoso complexo de escritórios corporativos à Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil. Além disso, a empresa de Walter Torre doou R$ 2 milhões à campanha de Dilma, que era coordenada por Palocci.

A segunda empresa que confirmou ter contratado a Projeto, consultoria de Palocci, foi a Amil, maior empresa de planos de saúde do Brasil, controlada pelo empresário Edson Bueno. Na coluna da jornalista Monica Bergamo, também da Folha de S. Paulo, a companhia confirmou a contratação, alegando que o motivo foi uma palestra de prevenção a gripe suína a seus executivos. Num outro contrato, na área empresarial, Palocci teria dado conselhos à Amil sobre como se expandir na Região Nordeste. A Amil é regulada pela Agência Nacional de Saúde, cujos diretores são indicados pelo governo federal, e enfrenta queixas frequentes de seus clientes nos serviços de defesa do consumidor.

Esta sexta-feira, véspera da publicação de revistas semanais, como Veja, Época e Istoé, será marcada por intensos boatos em Brasília. Ontem, circulou uma lista em Brasília, com nomes de clientes de Palocci. Dela constavam grandes bancos, empreiteiras e mineradoras. Um dos nomes mais citados, em Brasília, era o do BTG Pactual, que comprou o Panamericano no fim do governo Lula e se associou à Caixa Econômica Federal. O banco nega ter contratado Palocci.

O governo, por sua vez, está dividido. Parte defende a demissão imediata de Palocci, para estancar de vez os danos e para sinalizar que Dilma, tal qual Fernando Henrique (e não Lula), administra crises com rapidez. Outros avaliam que a decisão seria perigosa, uma vez que Palocci, com trânsito no empresariado, foi de fato o coordenador da campanha de Dilma, com acesso a todas as informações sobre doações de campanha.

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