Paquerado por Alckmin, Kassab domina bastidores

Mesmo amargando baixos índices de popularidade, prefeito de São Paulo é cortejado pela força do seu PSD; governador está disposto a fazer as pazes com ele e o vice Guilherme Afif para impedir ida para o governo Dilma; para acossar ainda mais Alckmin, prefeito diz sonhar com o Palácio dos Bandeirantes em 2014

Paquerado por Alckmin, Kassab domina bastidores
Paquerado por Alckmin, Kassab domina bastidores (Foto: Divulgação)
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247 – O prefeito Gilberto Kassab vai consumando a posição de político fraco no público – e forte nos bastidores da política. Mesmo passando a gestão para Fernando Haddad com 15 pontos negativos em sua popularidade e um índice de 27% de ruim e péssimo como administrador, ele, em seu papel de chefe partidário, ganhou agora mais um admirador: o governador Geraldo Alckmin.

Depois de ver em Kassab o homem que esvaziou a bancada municipal do PSDB, o governador de São Paulo agora o enxerga como futuro aliado nas eleições de 2014. Tanto para se recandidatar ao governo do Estado, impedindo uma aliança do atual prefeito, até a segunda-feira 31, da capital, com o PT, como para ampará-lo num eventual voo presidencial. Kassab interessa a Alckmin  mais pelo efeito de retirar apoio à direita de uma candidatura petista, do que, propriamente, por uma contribuição direta a seu balaio de votos.

Para atrair Kassab, Alckmin já enviou emissários para conversas em detalhe com o vice-governador Guilherme Afif Domingos. Em represália pela ida de Afif para o PSD, Alckmin o apeou da secretária de Energia, mas agora está disposto a abrir novas portas na administração para compensar o desfeito. Tudo para não permitir que Kassab, e o próprio Afif, aceitem o convite da presidente Dilma Rousseff para ocupação do a ser criado Ministério das Micros e Pequenas Empresas.

Para deixar Alckmin ainda mais preocupado e, portanto, solícito aos interesses do PSD, Kassab está deixando a Prefeitura de São Paulo com sonhos de assumir, em 2014, o governo do Estado. “Seria uma honra muito grande ser candidato e, em caso de vitória, poder servir ao Estado”, diz ele. A julgar pelas pesquisas de opinião, pórem, um pesadelo já o atormenta. O público o considera, de acordo com as últimas pesquisas, o pior prefeito da capital paulista das últimas décadas, comparável apenas com o escorraçado Celso Pitta (1946-2009).

Suas habilidades para, diante dos jornalistas, empurrar responsabilidades pelos grandes problemas urbanos e, com os políticos, criar um partido de expressão nacional como o PSD, certamente irão ajudá-lo nos planos de ser candidato. Ele poderá, mais uma vez, demonstrar sua grande capacidade de arrecadação de recursos, mas disputar o páreo com chances reais serão outros quinhentos.

Os adversários do ainda prefeito já guardam em seus arsenais o índice de apenas 27% de aprovação da gestão dele (soma de ótimo e bom) no levantamento Ibope/Estadão. Para 42% dos paulistanos, Kassab fez uma gestão ruim ou péssima. Ele termina o ano com 15 pontos de avaliação negativa.

Ainda assim, o fundador do PSD deverá ocupar bastante espaço na agenda política de 2013-14. Sua agremiação tem hoje a terceira maior bancada da Câmara Federal, com 55 deputados, elegeu 497 prefeitos em todo o País e fez a quarta maior votação entre os partidos. Uma estrutura que permite a Kassab,  neste momento, refletir calmamente sobre o convite feito por Dilma. O prefeito faz seu jogo de espera porque quer mais, e acredita que possa obter ainda uma recompensa como o Ministério das Cidades.

“A avaliação é um sentimento que muda com o tempo”, disse Kassab em entrevista a Denise Chiarato e Evandro Spinelli, do jornal Folha de S. Paulo, publicada neste domingo 30. Ele manifestou confiança de que, com o tempo, sua imagem melhore. Lábia, par o prefeito, não falta no sentido de essa mudança ocorrer. O problema, para ele, será superar a memória popular dos problemas que sobressaíram em sua gestão – a se encerrar com atraso nas entregas de uniformes e material escolar para os alunos da rede municipal de ensino.

Por contraste, no entanto, Kassab terá a sua chance. Caso a administração do petista Fernando Haddad não vá bem, ele poderá faturar no erro do adversário. Para começar esse jogo, o atual prefeito parece em vantagem. Haddad, em diversas entrevistas, já elogiou o comportamento do antecessor durante a transição de governo. O futuro titular não se queixou de problemas de caixa nem apontou, previamente, irregularidades em contratos firmados na gestão de Kassab. Ao inesperado aliado, o prefeito diz entregar uma administração com R$ 4 bilhões em caixa e a máquina estruturada. Ou seja, se der pane, a culpa não será dele.

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