Para PMDB, governo contribuiu para a crise fiscal
Em documento de 19 páginas divulgado nesta quinta-feira, o partido, presidido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, faz um diagnóstico da situação econômica e defende medidas como mudanças constitucionais que desengessem o Orçamento, a desindexação de gastos e a criação de uma idade mínima para as aposentadorias, que não seja menor que 65 anos para homens e 60 para mulheres; para o maior partido da coalizão que apoia o governo Dilma, o Executivo cometeu "excessos" nos últimos anos e contribuiu para o agravamento da atual situação fiscal do país
247 - O PMDB divulgou o documento base que será utilizado nos debates do Congresso da Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao partido, marcado para o dia 17 de novembro. O material intitulado "Uma Ponte para o Futuro" busca explicar o atual momento político e econômico do país, além de apontar possíveis saídas para a crise.
Segundo o documento, o país encontra-se em uma situação grave, enfrenta uma profunda recessão, além de manter os juros elevados e estar com a inflação muito acima da meta, próxima do descontrole. O texto do PMDB, porém, evitou críticas diretas ao governo da presidente Dilma Rousseff.
O PMDB também criticou as propostas para elevar a carga tributária como um mecanismo para se alcançar o equilíbrio fiscal e disse que somente com a cooperação de todos o Brasil poderá superar as dificuldades. O partido, que integra a base aliada do governo, também pediu calma e entendimento ao destacar que "o aprofundamento das divisões e a disseminação do ódio e dos ressentimentos estão inviabilizando os consensos políticos sem os quais nossas crises se tornarão cada vez maiores
"Como agravante, temos um sistema político sem raízes profundas na sociedade, muito fragmentado, sem articulação e com baixa confiança da população", ressalta o documento em referência ao descrédito das instituições políticas e dos partidos pela população.
Para o partido, a solução para o ajuste fiscal é uma obrigação ser cumprida pelos partidos, pelo Congresso Nacional e pela cidadania. "Não será nunca obra de especialistas financeiros, mas de políticos capazes de dar preferência às questões permanentes e de longo prazo. É também uma tarefa quase heroica que vai exigir o concurso de muitos atores, que precisarão, pelo tempo necessário, deixar de lado divergências e interesses próprios, mesmo que tenham que retomá-los mais adiante", observa o texto.
Abaixo, reportagem da Reuters:
PMDB diz que governo cometeu excessos e contribuiu para crise fiscal
SÃO PAULO (Reuters) - O PMDB, maior partida da coalizão que apoia o governo da presidente Dilma Rousseff, afirmou em documento divulgado nesta quinta-feira que o Executivo cometeu "excessos" nos últimos anos e contribuiu para o agravamento da atual situação fiscal do país.
Em documento de 19 páginas, o partido, presidido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, faz um diagnóstico da situação econômica e defende medidas como mudanças constitucionais que desengessem o Orçamento, a desindexação de gastos e a criação de uma idade mínima para as aposentadorias, que não seja menor que 65 anos para homens e 60 para mulheres.
"Nos últimos anos é possível dizer que o governo federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos, ou mesmo admitindo novos servidores ou assumindo investimentos acima da capacidade fiscal do Estado. A situação hoje poderia certamente estar menos crítica", afirma o partido, ressalvando no entanto que uma solução fiscal de longo prazo depende de mudanças estruturais.
A sigla, que tem sete ministros no governo Dilma, defendeu ainda que a solução para os déficits fiscais não deve passar pela criação de impostos, justamente em um momento que o governo tenta recriar a CPMF no Congresso e aponta o tributo como fundamental para elevar a arrecadação e equilibrar as contas.
"Qualquer ajuste de longo prazo deveria, em princípio, evitar aumento de impostos, salvo em situação de extrema emergência e com amplo consentimento social", defendeu o PMDB.
O documento, intitulado "Uma Ponte para o Futuro", é apresentado no site da legenda como um chamamento de Temer para debate interno. "Que nos una em um caminho para tirar o Brasil da crise."
O PMDB faz, ainda, a avaliação de que o Brasil está em "situação de grave risco" e afirma que os peemedebistas se propõem "a buscar a união dos brasileiros de boa vontade".
"O país clama por pacificação, pois o aprofundamento das divisões e a disseminação do ódio e dos ressentimentos estão inviabilizando os consensos políticos sem os quais nossas crises se tornarão cada vez maiores", afirma.
(Por Eduardo Simões)